USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Mulher, 45 anos, conta que desde a infância tem episódios de dispneia, tosse seca e chiado no peito quando exposta a poeira ou fumaça. Nunca fumou e nega comorbidades. Exame físico com sibilos esparsos, sem outras alterações. Qual acometimento de vias aéreas é o mais provavelmente envolvido nesse caso?
Episódios de broncoespasmo após exposição a gatilhos → Hiper-responsividade brônquica, a marca funcional da asma.
A hiper-responsividade brônquica é a tendência exagerada das vias aéreas de se contraírem em resposta a estímulos diversos. Este é o mecanismo fisiopatológico central que explica os sintomas agudos e intermitentes da asma, como dispneia e sibilância.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por episódios recorrentes de sibilância, dispneia, aperto no peito e tosse. Sua importância clínica reside na alta prevalência e no impacto na qualidade de vida, com potencial para exacerbações graves. A base fisiopatológica da asma é uma inflamação crônica, predominantemente eosinofílica, que leva à hiper-responsividade brônquica. Isso significa que as vias aéreas do paciente asmático reagem de forma exagerada a diversos estímulos (gatilhos), resultando em broncoconstrição aguda, edema de mucosa e hipersecreção de muco, que juntos causam a obstrução do fluxo aéreo e os sintomas. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de sintomas respiratórios episódicos desencadeados por fatores específicos. O manejo da asma foca no controle da inflamação para reduzir a hiper-responsividade e prevenir exacerbações, utilizando corticosteroides inalatórios como terapia de primeira linha. Broncodilatadores são usados para alívio dos sintomas agudos. É crucial diferenciar a hiper-responsividade (fenômeno funcional) do remodelamento brônquico (alteração estrutural crônica), que é uma consequência a longo prazo da inflamação não controlada.
Os gatilhos mais comuns incluem alérgenos (ácaros, pólen), irritantes inalatórios (fumaça, poluição), infecções virais das vias aéreas superiores, ar frio, exercício físico e alguns medicamentos como beta-bloqueadores.
O tratamento visa controlar a inflamação crônica subjacente com corticosteroides inalatórios (terapia de manutenção) e aliviar os sintomas agudos de broncoespasmo com broncodilatadores de curta ação (SABA) quando necessário.
Na asma, a obstrução do fluxo aéreo causada pela hiper-responsividade é tipicamente variável e reversível com broncodilatadores. Na DPOC, a obstrução é largamente fixa e progressiva, resultado de dano estrutural (enfisema e bronquiolite obstrutiva).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo