USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2019
Adolescente de 13 anos de idade está preocupada porque ainda não menstruou. Refere que cresceu muito rápido e algumas colegas já apresentaram menstruação. Nascida de parto normal, sem nenhuma doença, frequenta escola, é boa aluna e encontra-se no percentil 50 para peso e altura.Exame clínico geral normal, palpação abdominal sem alterações. Observa-se desenvolvimento mamário e genital Tanner 3 (M3, P3); o hímen é íntegro e perfurado.Após 6 meses, a paciente retorna ainda sem menstruar, com queixa de dor abdominal e pélvica que tem sido progressiva, com episódios mensais e que agora está contínua. Ao exame clínico, identifica-se tumoração suprapúbica, dois dedos acima da sínfise púbica, dolorosa; genitália externa com hímen íntegro e perfurado.Qual o principal diagnóstico a ser considerado?
Amenorreia primária + dor pélvica cíclica + massa suprapúbica = Hímen imperfurado → Hematocolpo.
A amenorreia primária com dor abdominal cíclica e massa pélvica em adolescente com desenvolvimento puberal completo (Tanner M3, P3) sugere uma obstrução do trato de saída, sendo o hímen imperfurado a causa mais comum. A acumulação de sangue menstrual (hematocolpo) leva à dor e à massa palpável.
A amenorreia primária é definida como a ausência de menarca aos 15 anos de idade na presença de caracteres sexuais secundários, ou aos 13 anos na ausência de caracteres sexuais secundários. É um tema relevante na ginecologia pediátrica e da adolescência, exigindo uma investigação cuidadosa para determinar a etiologia e instituir o tratamento adequado. A prevalência de amenorreia primária varia, mas as causas obstrutivas são uma parcela significativa. A fisiopatologia da amenorreia primária com dor abdominal cíclica e massa pélvica geralmente envolve uma obstrução congênita do trato de saída genital, como o hímen imperfurado. Nesses casos, o sangue menstrual se acumula na vagina (hematocolpo), útero (hematometra) e/ou tubas uterinas (hematossalpinge), causando dor progressiva e uma massa palpável. O diagnóstico é clínico, com exame físico detalhado da genitália externa e, se necessário, ultrassonografia pélvica para confirmar o acúmulo de sangue. O tratamento para causas obstrutivas, como o hímen imperfurado, é cirúrgico, geralmente uma himenectomia. A intervenção precoce é importante para aliviar a dor, prevenir complicações como endometriose e preservar a fertilidade. O prognóstico é geralmente bom após a correção cirúrgica, com o estabelecimento do ciclo menstrual normal.
Os sinais de alerta incluem amenorreia primária em uma adolescente com desenvolvimento puberal completo, dor abdominal cíclica progressiva e, frequentemente, uma massa pélvica ou suprapúbica palpável.
O principal diagnóstico a ser considerado é o hímen imperfurado, que leva ao acúmulo de sangue menstrual (hematocolpo) e causa dor cíclica e massa. Outras causas incluem septo vaginal transverso ou agenesia vaginal.
O tratamento do hímen imperfurado é cirúrgico, através de uma himenectomia cruciforme, que permite a drenagem do hematocolpo e o estabelecimento do fluxo menstrual normal.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo