Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Adolescente de 11 anos apresenta dor abdominal cíclica há 3 meses. Sem história de menarca. Ao exame ginecológico: hímen abaulado e indolor. Qual o diagnóstico mais provável?
Amenorreia primária + dor cíclica + hímen abaulado/azulado = Hímen imperfurado.
O hímen imperfurado causa obstrução do trato de saída, resultando em hematocolpo. O diagnóstico é clínico através da inspeção genital.
O hímen imperfurado é a malformação obstrutiva mais comum do trato genital feminino. Manifesta-se tipicamente na puberdade, quando o início da menstruação leva ao acúmulo de sangue retro-himenal. A apresentação clássica é a dor abdominal ou pélvica cíclica em uma paciente com caracteres sexuais secundários desenvolvidos, mas sem menarca (amenorreia primária). O exame físico é diagnóstico, revelando uma membrana himenal tensa e frequentemente de coloração azulada/arroxeada pelo sangue retido. O reconhecimento precoce é fundamental para prevenir complicações como hematossalpinge e endometriose.
No hímen imperfurado, há abaulamento da membrana himenal devido ao acúmulo de sangue (hematocolpo), visível ao exame físico. Na agenesia vaginal (Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser), a vagina é curta ou ausente e não há abaulamento, pois o útero geralmente também é malformado ou ausente.
O tratamento é cirúrgico, consistindo na himenotomia ou himenectomia (geralmente em cruz ou em T) para drenar o conteúdo retido e criar uma abertura permanente. O procedimento deve ser realizado com técnica asséptica para evitar infecções ascendentes.
Se não tratado, o acúmulo de sangue pode progredir para hematometra (sangue no útero) e hematossalpinge (sangue nas tubas), podendo causar endometriose retrógrada, dor pélvica crônica e infertilidade futura.
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