UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023
Lactente de 18 meses é trazido para atendimento apresentando massa cervical à direita e febre de 38°C há dois dias. A família relata que a criança tem um “tumor no pescoço”, desde que nasceu, mas que nesses últimos dias notou aumento do local. Ao exame físico, a criança está em bom estado geral e apresenta massa cervical do lado direito, com presença de hiperemia, de consistência amolecida, cística e dolorosa à palpação. A massa não se move à deglutição e o restante do exame físico não indica outras alterações. A principal hipótese diagnóstica é infecção de:
Lactente com massa cervical cística congênita que aumenta e inflama com febre → infecção de higroma cístico.
Higromas císticos são malformações congênitas do sistema linfático, geralmente presentes ao nascimento. Quando uma massa cervical cística previamente existente em um lactente se torna dolorosa, hiperemiada, amolecida e associada à febre, a principal hipótese é a infecção do higroma cístico, que requer atenção imediata.
O higroma cístico, ou linfangioma cístico, é uma malformação congênita benigna do sistema linfático, mais frequentemente encontrada na região cervical. É resultado de uma falha na comunicação entre os vasos linfáticos e o sistema venoso, levando ao acúmulo de linfa. Geralmente é diagnosticado ao nascimento ou nos primeiros anos de vida, apresentando-se como uma massa cística e indolor. A infecção é uma complicação comum, especialmente em lactentes, e pode levar a um rápido aumento de volume e sintomas sistêmicos. Quando um higroma cístico se infecta, a criança pode apresentar febre, dor local, hiperemia, calor e aumento da consistência da massa, que se torna amolecida e dolorosa à palpação. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de uma massa congênita que se inflama. Exames de imagem como ultrassonografia e ressonância magnética são úteis para confirmar a natureza cística da lesão e avaliar sua extensão, auxiliando no planejamento terapêutico e no diagnóstico diferencial com outras massas cervicais, como cisto tireoglosso, branquial ou linfonodomegalia. O tratamento de um higroma cístico infectado envolve inicialmente antibioticoterapia para controlar a infecção. Após a resolução do quadro agudo, a excisão cirúrgica é o tratamento definitivo para prevenir recorrências e complicações. Em alguns casos, a escleroterapia pode ser uma alternativa. Para residentes, é fundamental reconhecer os sinais de infecção e a importância de um manejo multidisciplinar para garantir o melhor prognóstico para esses pacientes pediátricos.
Um higroma cístico não infectado é uma massa cervical congênita, geralmente macia, cística, não dolorosa e transiluminável, que não se move com a deglutição. Pode variar de tamanho e localização, sendo mais comum na região cervical lateral.
A diferenciação envolve a história clínica (massa presente desde o nascimento), exame físico (cística, lateral, não móvel à deglutição) e sinais de infecção (febre, dor, hiperemia, aumento de volume). Exames de imagem como ultrassonografia podem auxiliar na caracterização da lesão e exclusão de outras causas como cisto tireoglosso ou linfonodomegalia primária.
A conduta inicial para um higroma cístico infectado inclui antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir os patógenos mais comuns, analgesia e observação. Em alguns casos, pode ser necessária drenagem cirúrgica se houver formação de abscesso, seguida de excisão cirúrgica definitiva após controle da infecção.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo