SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025
Problemas relacionados com alterações no ciclo do sono são queixas comuns de idosos atendidos em serviços de saúde, chegando a alcançar 50% dos sintomas relatados em consultório médico. Podem trazer repercussões graves na qualidade de vida desses idosos, de seus familiares e cuidadores, sendo por isso considerados um grande problema de saúde pública. Em relação aos transtornos de sono, correlacione a coluna de diagnósticos com a coluna que caracteriza a doença citada: COLUNA 1 A- Transtorno comportamental do sono REM. B- Síndrome de pernas inquietas. C- Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono. D- Transtorno de ritmo circadiano. COLUNA 2 I. O sintoma mais comum no idoso é o avanço de fase, no qual o indivíduo adormece no início da noite (19h) e acorda entre três e quatro horas da manhã, demonstrando posteriormente sonolência diurna e cochilos longos. O diagnóstico é clínico e o tratamento realizado com melatonina. II. Parassonia, considerada um sintoma não motor da doença de Parkinson. O diagnóstico é clínico, com apoio de polissonografia. O tratamento de escolha é benzodiazepínico, podendo-se usar também a melatonina. III. Reconhecido fator de risco cardiovascular, que cursa com sono não reparador e sonolência diurna. O diagnóstico é feito através de polissonografia e o tratamento inclui aparelhos intraorais ou pressão contínua nas vias aéreas. IV. Mais prevalente em mulheres idosas, sendo a deficiência de ferro um importante fator de risco para seu desenvolvimento. O diagnóstico é clínico e o tratamento inclui agonistas dopaminérgicos. Assinale a alternativa que apresenta a correlação CORRETA:
Idoso que dorme/acorda muito cedo = Avanço de fase. Sono REM agitado = Alerta para Parkinson.
O envelhecimento altera a arquitetura do sono, sendo o avanço de fase e as parassonias (como o transtorno do sono REM) condições frequentes e tratáveis.
Os transtornos do sono no idoso são multifatoriais, envolvendo mudanças fisiológicas na secreção de melatonina, redução do sono profundo (estágio N3) e aumento da fragmentação. A correlação correta entre os diagnósticos clínicos e suas características é fundamental para evitar a polifarmácia e o uso de benzodiazepínicos, que aumentam o risco de quedas e declínio cognitivo. A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) no idoso pode se manifestar de forma atípica, com nictúria e confusão mental matinal, exigindo alto índice de suspeição. Já a Síndrome das Pernas Inquietas impacta severamente o início do sono, sendo mais prevalente em mulheres e associada a estados de ferropenia.
O Transtorno Comportamental do Sono REM (TCSR) caracteriza-se pela perda da atonia muscular normal durante o estágio REM, levando o paciente a 'encenar' os sonhos, muitas vezes de forma vigorosa ou violenta. É considerado um dos marcadores prodrômicos mais fortes para sinucleinopatias, como a Doença de Parkinson e a Demência por Corpos de Lewy. O diagnóstico pode preceder os sintomas motores em mais de uma década. O manejo envolve medidas de segurança no quarto e o uso de clonazepam ou melatonina em doses ajustadas para a idade.
O avanço de fase é comum no idoso, resultando em sonolência precoce (ex: 19h) e despertar na madrugada. O tratamento não foca em sedativos, mas na reprogramação do ciclo circadiano. A exposição à luz solar ou fototerapia no final da tarde ajuda a atrasar o início do sono. A melatonina, se utilizada, deve ser administrada em horários específicos para promover o atraso da fase. É fundamental educar a família de que acordar às 4h da manhã pode ser um padrão biológico e não necessariamente uma patologia grave.
A Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) tem uma fisiopatologia ligada à disfunção dopaminérgica central, onde o ferro atua como cofator essencial para a enzima tirosina hidroxilase. Mesmo em pacientes sem anemia, níveis de ferritina abaixo de 75-100 ng/mL podem exacerbar os sintomas. No idoso, a investigação de perdas gastrointestinais ou má absorção é mandatória. O tratamento de primeira linha envolve a reposição de ferro e o uso de agonistas dopaminérgicos (como pramipexol) ou gabapentinoides, dependendo das comorbidades.
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