INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
A Comissão de Controle da Infecção Hospitalar de uma Maternidade identifica aumento de infecção cutânea puerperal na enfermaria obstétrica para pacientes de baixo risco (sem comorbidades) após remanejamento da equipe dos profissionais de saúde responsáveis pela assistência. Não foram verificadas alterações no registro de inspeção da esterilização das caixas cirúrgicas. A antibioticoprofilaxia de todas as pacientes foi mantida por 24 horas. As culturas obtidas de material purulento, colhido de focos de infecção, identificaram uma cepa de estafilococos sensível à meticilina. Qual a medida que deve ser proposta para solucionar o problema do aumento na incidência de infecção puerperal nessa Maternidade?
Aumento de infecção após mudança de equipe → Foco em Higiene das Mãos.
A falha na adesão à higienização das mãos é a principal causa de surtos infecciosos hospitalares após mudanças de pessoal, superando falhas em esterilização ou profilaxia antibiótica.
O controle de infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) é um pilar da segurança do paciente. No contexto obstétrico, a infecção puerperal cutânea pode ser minimizada com protocolos rígidos. Quando um surto ocorre apesar de processos de esterilização intactos, a transmissão horizontal via mãos dos profissionais torna-se a hipótese principal. A implementação de campanhas de higienização das mãos, baseada nos 'Cinco Momentos' da OMS, é a intervenção padrão-ouro para interromper a cadeia de transmissão e reduzir as taxas de infecção hospitalar.
A higienização das mãos é reconhecida pela OMS como a medida isolada mais importante para prevenir a transmissão cruzada de microrganismos em ambientes de saúde. Em cenários onde a esterilização de materiais está adequada e a profilaxia antibiótica é seguida, o aumento de infecções (especialmente por Staphylococcus sensíveis) após a troca de equipe sugere fortemente falha na técnica ou na frequência da lavagem das mãos pelos novos profissionais, facilitando o transporte de patógenos entre pacientes.
Ampliar o tempo de antibioticoprofilaxia além das 24 horas recomendadas para cirurgias limpas ou limpas-contaminadas não reduz a incidência de infecção de sítio cirúrgico e traz riscos significativos. Essa prática promove a seleção de cepas multirresistentes, aumenta os custos hospitalares e predispõe o paciente a efeitos colaterais e infecções secundárias, como a colite por Clostridioides difficile, sem atacar o problema da quebra de barreira técnica.
A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) deve realizar uma investigação epidemiológica que inclua: revisão dos processos de esterilização, auditoria da técnica cirúrgica, observação direta da adesão à higiene das mãos, revisão dos protocolos de antibioticoprofilaxia e análise microbiológica das culturas. Se o patógeno é comum (como MSSA) e houve mudança de equipe, a educação continuada e o reforço das precauções padrão são as intervenções iniciais mais custo-efetivas.
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