Hifema Traumático: Complicações e Manejo Clínico

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2017

Enunciado

Paciente vítima de trauma ocular contuso há um dia e com o seguitne achado, assinale a correta:

Alternativas

  1. A) Em pacientes com anemia falciforme não há mudanças de prognóstico; apenas deve-se observar a contraindicação do uso de inibidores de anidrase carbônica.
  2. B) Hemorragia recorrente pode ocorrer por lise e retração do coágulo.
  3. C) Neste momento, o principal mecanismo de glaucoma associado é a fagocitose de células hemáticas por macrófagos, causando obstrução do trabeculado.
  4. D) Neste momento, tipicamente, no aspirado da câmara anterior são encontrados corpúsculo de Heinz.

Pérola Clínica

Ressangramento no hifema → ocorre entre o 2º e 5º dia por lise e retração do coágulo.

Resumo-Chave

O hifema traumático exige monitoramento rigoroso nos primeiros dias, pois a fibrinólise natural do coágulo pode reabrir vasos rompidos, causando hemorragias secundárias geralmente mais graves.

Contexto Educacional

O hifema traumático resulta da ruptura de vasos sanguíneos da íris ou do corpo ciliar após trauma contuso. O tratamento inicial foca em repouso, cabeceira elevada a 30-45 graus e uso de cicloplégicos e corticoides tópicos. A complicação mais temida é a hipertensão ocular persistente que pode levar à atrofia óptica e à impregnação hemática da córnea (corneal blood staining), especialmente se a pressão intraocular permanecer acima de 25-30 mmHg por tempo prolongado.

Perguntas Frequentes

Por que o ressangramento é uma preocupação no hifema?

O ressangramento (hifema secundário) ocorre em cerca de 5-30% dos casos, tipicamente entre o 2º e o 5º dia após o trauma inicial. Ele é causado pela lise e retração do coágulo de fibrina que havia selado os vasos rompidos no corpo ciliar ou íris. Esse sangramento secundário costuma ser mais volumoso que o inicial, aumentando drasticamente o risco de hipertensão ocular, glaucoma e impregnação hemática da córnea.

Qual a conduta específica para hifema em pacientes com anemia falciforme?

Em pacientes com traço ou anemia falciforme, o manejo deve ser extremamente cauteloso. O ambiente de baixa oxigenação e pH reduzido na câmara anterior favorece a falcização das hemácias, que obstruem o trabeculado mais facilmente. Deve-se evitar o uso de inibidores da anidrase carbônica (como acetazolamida), pois eles acidificam o humor aquoso, e agentes osmóticos, que aumentam a hemoconcentração, ambos exacerbando a falcização.

O que é o glaucoma de células fantasmas?

É um tipo de glaucoma secundário de ângulo aberto que ocorre após hemorragias vítreas persistentes. As hemácias no vítreo perdem sua hemoglobina e tornam-se células fantasmas (eritrócitos rígidos e esféricos). Quando estas células migram para a câmara anterior através de uma ruptura na hialoide anterior, elas obstruem mecanicamente a malha trabeculada, elevando a pressão intraocular.

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