Indicações de Lavagem de Câmara Anterior no Hifema

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2009

Enunciado

Neste paciente, vítima de trauma, devemos indicar lavagem de câmara anterior:

Alternativas

  1. A) Se houver sinal de impregnação da córnea
  2. B) Nas primeiras 24 horas após o trauma
  3. C) Se a pressão intraocular estiver abaixo da normal
  4. D) Se a visão for pior que 0,05

Pérola Clínica

Hifema + sinal de impregnação corneana → Lavagem de câmara anterior imediata.

Resumo-Chave

A lavagem da câmara anterior no hifema traumático é indicada para prevenir a impregnação hemática da córnea, que pode causar opacidade permanente.

Contexto Educacional

O hifema traumático é a presença de sangue na câmara anterior, geralmente resultante de trauma contuso que causa ruptura de vasos do corpo ciliar ou da íris. A maioria dos casos é manejada conservadoramente, mas complicações como o ressangramento (geralmente entre o 2º e 5º dia) e o glaucoma secundário aumentam o risco de sequelas. A impregnação hemática da córnea é uma das complicações mais temidas. O sinal clínico inicial é a perda da transparência do estroma posterior com uma coloração amarelada. Uma vez detectada, a lavagem da câmara anterior deve ser realizada prontamente para remover o sangue e os detritos, interrompendo o processo de infiltração corneana e protegendo a transparência do eixo visual.

Perguntas Frequentes

O que é a impregnação hemática da córnea?

A impregnação hemática da córnea ocorre quando produtos de degradação da hemoglobina (como a hemossiderina) penetram no estroma corneano. Isso acontece geralmente em hifemas totais ('eight-ball hyphema') associados a níveis elevados de pressão intraocular (PIO) e disfunção endotelial. A córnea assume uma coloração amarelada ou acastanhada, o que pode levar anos para clarear e, em crianças, pode causar ambliopia profunda.

Quais são as indicações cirúrgicas para o hifema traumático?

As principais indicações para intervenção cirúrgica (lavagem) incluem: 1. Evidência precoce de impregnação hemática da córnea; 2. PIO persistentemente acima de 35 mmHg por 7 dias ou 50 mmHg por 5 dias (para evitar dano ao nervo óptico); 3. Hifema total que não reduz após 5 dias; 4. Em pacientes com anemia falciforme, PIO > 24 mmHg por mais de 24 horas.

Como é realizado o manejo clínico inicial do hifema?

O manejo inicial inclui repouso com cabeceira elevada a 30-45 graus (para favorecer a sedimentação do sangue), uso de protetor ocular rígido, colírios cicloplégicos para conforto e corticoides tópicos para reduzir a inflamação. Deve-se evitar o uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e aspirina pelo risco de ressangramento. O controle da PIO é feito com hipotensores oculares, evitando-se inibidores da anidrase carbônica em pacientes falciformes.

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