FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023
Mulher de 26 anos, diagnosticada recentemente com lupus eritematoso sistêmico, com acometimento cutâneo, articular e renal (glomerulonefrite classe IV), sem redução da taxa de filtração glomerular. Em relação ao tratamento, é correto afirmar:
Hidroxicloroquina é essencial no LES → ↓ flares renais e mortalidade, mesmo em GN lúpica.
A hidroxicloroquina é um pilar no tratamento do LES, com evidências robustas de redução de flares, incluindo os renais, e melhora da sobrevida. Sua manutenção é crucial, exceto em contraindicações específicas, independentemente da gravidade inicial do acometimento renal.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica e multissistêmica, com prevalência maior em mulheres jovens. A glomerulonefrite lúpica (GNL) é uma das manifestações mais graves, afetando o prognóstico e a mortalidade. A classificação da GNL, como a Classe IV (GNL difusa), orienta a intensidade da terapia imunossupressora. A hidroxicloroquina é um antimalárico com propriedades imunomoduladoras, sendo considerada a terapia de base para praticamente todos os pacientes com LES, exceto em contraindicações absolutas. Sua importância reside na capacidade de reduzir a atividade da doença, prevenir flares (incluindo os renais), diminuir o dano cumulativo e, consequentemente, reduzir a mortalidade. Ela atua modulando a função de células imunes e inibindo a ativação de receptores toll-like. O tratamento da GNL Classe IV geralmente envolve uma fase de indução com imunossupressores potentes (ciclofosfamida ou micofenolato de mofetila) associados a corticosteroides, seguida por uma fase de manutenção. A hidroxicloroquina é mantida durante todas as fases, complementando a terapia imunossupressora e contribuindo para a estabilidade da remissão e prevenção de recaídas. O monitoramento oftalmológico é essencial devido ao risco de toxicidade retiniana.
A hidroxicloroquina reduz a frequência de flares da doença, incluindo os renais, melhora a sobrevida, e tem um perfil de segurança favorável, sendo um tratamento de base para a maioria dos pacientes com LES.
Sim, a hidroxicloroquina é indicada na maioria dos casos de glomerulonefrite lúpica, independentemente da classe, como parte da terapia de manutenção, devido aos seus benefícios sistêmicos e renais.
A principal preocupação é a toxicidade retiniana (maculopatia), que é rara e dose-dependente, exigindo monitoramento oftalmológico regular. Outros efeitos incluem náuseas, diarreia e rash cutâneo.
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