Hidroxicloroquina e Cloroquina: Mecanismo de Ação

Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2022

Enunciado

Hidroxicloroquina e cloroquina são medicações frequentemente utilizadas em pacientes portadores de malária e outras doenças inflamatórias sistêmicas tais como lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide. Sendo correto que:

Alternativas

  1. A) Produzem imunomodulação, aumentando a produção de citocinas, a inibição de autofagia e atividade lisossomal no hospedeiro. Podem exercer propriedades antitrombóticas, especialmente contra anticorpos antifosfolípides.
  2. B) Produzem imunomodulação, atenuando a produção de citocinas, a inibição de autofagia e atividade lisossomal no hospedeiro. Podem exercer propriedades antitrombóticas, especialmente contra anticorpos antifosfolípides.
  3. C) Produzem imunomodulação, atenuando a produção de citocinas, a estimulação de autofagia e atividade lisossomal no hospedeiro. Podem exercer propriedades antitrombóticas, especialmente contra anticorpos antifosfolípides.
  4. D) Produzem imunomodulação, atenuando a produção de citocinas, a inibição de autofagia e inatividade lisossomal no hospedeiro. Podem exercer propriedades antitrombóticas, especialmente contra anticorpos antifosfolípides.

Pérola Clínica

Hidroxicloroquina/Cloroquina: imunomodulação ↓ citocinas, inibição autofagia/lisossomal, efeito antitrombótico (SAF).

Resumo-Chave

Hidroxicloroquina e cloroquina são imunomoduladores que atuam atenuando a produção de citocinas inflamatórias, inibindo a autofagia e a atividade lisossomal. Além disso, possuem um importante efeito antitrombótico, sendo particularmente úteis em pacientes com síndrome do anticorpo antifosfolípide (SAF) ou risco trombótico associado a doenças autoimunes.

Contexto Educacional

A hidroxicloroquina e a cloroquina são medicamentos antimaláricos que encontraram um papel fundamental no tratamento de diversas doenças inflamatórias sistêmicas, como lúpus eritematoso sistêmico (LES) e artrite reumatoide (AR). Sua importância clínica reside na capacidade de modular a resposta imune e oferecer benefícios adicionais, como proteção cardiovascular e antitrombótica. O mecanismo de ação é multifacetado. Elas atuam como imunomoduladores ao atenuar a produção de citocinas pró-inflamatórias (como IL-1, IL-6, TNF-alfa), interferir na apresentação de antígenos por células apresentadoras de antígenos e inibir a ativação de linfócitos T e B. Além disso, elevam o pH de compartimentos intracelulares, como endossomos e lisossomos, o que interfere no processamento de antígenos e na sinalização de receptores toll-like (TLRs), especialmente TLR7 e TLR9, que são importantes na patogênese do LES. Essa elevação do pH também inibe a autofagia e a atividade lisossomal. Um aspecto crucial é a propriedade antitrombótica desses medicamentos, particularmente relevante em pacientes com doenças autoimunes que apresentam risco aumentado de trombose, como aqueles com síndrome do anticorpo antifosfolípide (SAF). Eles podem modular a agregação plaquetária, a função endotelial e o sistema de coagulação. O uso contínuo de hidroxicloroquina em pacientes com LES, por exemplo, está associado a uma redução na atividade da doença, menor dano orgânico e menor risco de trombose.

Perguntas Frequentes

Como a hidroxicloroquina atua como imunomodulador?

A hidroxicloroquina atua como imunomodulador atenuando a produção de citocinas pró-inflamatórias, interferindo na apresentação de antígenos e na ativação de linfócitos, e elevando o pH de compartimentos intracelulares como lisossomos e endossomos.

Qual o papel da hidroxicloroquina na autofagia e atividade lisossomal?

A hidroxicloroquina inibe a autofagia e a atividade lisossomal. Ao aumentar o pH dos lisossomos, ela interfere na função de enzimas lisossomais e na fusão de autofagossomos com lisossomos, impactando processos celulares importantes na inflamação.

A hidroxicloroquina possui propriedades antitrombóticas?

Sim, a hidroxicloroquina exerce propriedades antitrombóticas, especialmente em pacientes com anticorpos antifosfolípides. Ela pode modular a agregação plaquetária, a função endotelial e a coagulação, reduzindo o risco de eventos trombóticos.

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