AFAMCI - Hospital dos Plantadores de Cana (RJ) — Prova 2015
Primigesta de 33 anos apresenta tipo sanguíneo O Rh negativo e teste de Coombs indireto negativo (confirmados). Ao exame ultrassonográfico, o concepto com 30 semanas exibe anasarca. A etiologia mais provável é:
Primigesta Rh negativo, Coombs indireto negativo + anasarca fetal → investigar hidropsia não imune (ex: infecção congênita CMV).
Em uma primigesta Rh negativo com Coombs indireto negativo, a aloimunização Rh é improvável como causa de hidropsia fetal. A presença de anasarca fetal nesse cenário sugere fortemente uma causa não imune. Infecções congênitas, como a pelo citomegalovírus (CMV), são causas importantes de hidropsia fetal não imune e devem ser investigadas prioritariamente.
A anasarca fetal, ou hidropsia fetal, é uma condição grave caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido em pelo menos dois compartimentos fetais (ex: ascite, derrame pleural, derrame pericárdico, edema de pele). Tradicionalmente, a hidropsia era frequentemente associada à aloimunização Rh. No entanto, com a profilaxia anti-D, a hidropsia fetal não imune (HFNI) tornou-se a forma mais comum, representando cerca de 90% dos casos. A etiologia da HFNI é vasta e inclui causas cardiovasculares, cromossômicas, hematológicas, pulmonares, genéticas e infecciosas. No cenário de uma gestante Rh negativo com Coombs indireto negativo, a aloimunização Rh é descartada, e a investigação deve focar nas causas não imunes. Infecções congênitas, como a pelo citomegalovírus (CMV), parvovírus B19, toxoplasmose e sífilis, são importantes etiologias de HFNI, podendo causar anemia fetal, miocardite, hepatite e disfunção placentária. O diagnóstico diferencial da anasarca fetal é complexo e exige uma investigação detalhada, incluindo ultrassonografia morfológica, cariótipo fetal, pesquisa de infecções congênitas (sorologias maternas e PCR em líquido amniótico) e, em alguns casos, exames mais invasivos. O manejo depende da causa subjacente e pode variar desde o acompanhamento expectante até intervenções intrauterinas ou o planejamento do parto em centro especializado.
As principais causas incluem anomalias cromossômicas, malformações cardíacas estruturais, infecções congênitas (como citomegalovírus, parvovírus B19, toxoplasmose), síndromes genéticas, anemia fetal de outras etiologias e, menos frequentemente, tumores fetais.
A infecção congênita por citomegalovírus pode levar à hidropsia fetal através de mecanismos como anemia fetal grave, miocardite, hepatite, disfunção placentária e vasculite, resultando em acúmulo de líquido em múltiplos compartimentos fetais devido à falência cardíaca e hipoproteinemia.
O teste de Coombs indireto materno é crucial para rastrear a presença de anticorpos anti-Rh ou outros anticorpos irregulares que poderiam causar doença hemolítica fetal. Um resultado negativo, como no caso, praticamente exclui a aloimunização Rh como causa da hidropsia, direcionando a investigação para causas não imunes.
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