CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Durante a hidrodissecção, nota-se o deslocamento anterior do núcleo seguido de descontinuidade da cápsula posterior e luxação do núcleo para a cavidade vítrea. Sobre a complicação descrita, assinale a alternativa correta.
Hidrodissecção vigorosa + bloqueio capsular → ruptura de cápsula posterior e luxação do núcleo.
O acúmulo de fluido atrás do núcleo durante a hidrodissecção aumenta a pressão intra-sacular (bloqueio capsular), podendo romper a cápsula posterior. Pressionar o núcleo gentilmente libera o fluido e previne a complicação.
A hidrodissecção é um passo crítico na facoemulsificação, visando separar o núcleo e o córtex da cápsula. Embora pareça simples, a dinâmica de fluidos dentro do saco capsular exige atenção. O reconhecimento da síndrome do bloqueio capsular é vital para evitar a complicação mais temida: a perda de núcleo para o segmento posterior. Clinicamente, o sinal de alerta é o deslocamento anterior súbito do núcleo (o núcleo 'pula' em direção à córnea) seguido de uma perda de profundidade da câmara anterior. Se a cápsula romper, o núcleo pode mergulhar no vítreo. O manejo envolve a interrupção imediata da manobra e, se necessário, a conversão para extração extracapsular ou encaminhamento para vitrectomia posterior via pars plana.
A causa principal é a síndrome do bloqueio capsular intraoperatório. Quando o fluido injetado fica retido atrás do núcleo e não consegue escapar pela capsulorrexe (especialmente se esta for pequena), a pressão hidrostática aumenta drasticamente. Isso causa uma distensão do saco capsular e eventual ruptura da cápsula posterior, permitindo que o núcleo seja empurrado para a cavidade vítrea. A manobra de pressionar o núcleo centralmente ajuda a 'quebrar' esse selo e permite que o fluido escape para a câmara anterior.
A prevenção envolve a injeção lenta e controlada de fluido, garantindo que o volume injetado tenha uma via de escape. Realizar uma capsulorrexe de tamanho adequado (geralmente 5-5.5mm) facilita a saída do fluido. Além disso, a manobra de pressionar levemente o núcleo para trás ou para os lados após cada pequena injeção de líquido ajuda a liberar o fluido acumulado no espaço retro-nuclear, equalizando as pressões e evitando a ruptura capsular.
Diferente do que algumas alternativas sugerem, a catarata polar posterior é um fator de risco clássico, não de proteção. Nesses casos, a cápsula posterior já pode apresentar uma fragilidade inerente ou até uma deiscência pré-existente na região do polo posterior. A hidrodissecção vigorosa nesses pacientes é contraindicada, pois a pressão do fluido pode facilmente completar a ruptura e levar o núcleo ao vítreo. Nesses casos, prefere-se a hidrodelineação ou hidrodissecção extremamente cuidadosa.
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