USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Criança de 1 mês de idade, nascida de parto cesárea sem intercorrências, com quadro de irritabilidade e baixo ganho de peso. A mãe teve diagnóstico de toxoplasmose confirmado durante a gestação. Ao exame físico, encontra-se desperto e reativo, com peso de 2400 g e perímetro craniano de 42 cm; fontanelas abauladas, com mobilidade ocular normal. Seu exame de ultrassonografia de crânio transfontanelar encontra-se abaixo.Qual é a melhor conduta terapêutica?
Toxoplasmose congênita + hidrocefalia sintomática (fontanela abaulada, PC ↑) → Derivação ventriculoperitoneal.
A toxoplasmose congênita é uma causa importante de hidrocefalia em recém-nascidos. Quando a hidrocefalia é sintomática, manifestando-se com sinais de hipertensão intracraniana como fontanela abaulada e aumento do perímetro cefálico, a derivação ventriculoperitoneal é a conduta terapêutica de escolha para aliviar a pressão e prevenir danos neurológicos.
A toxoplasmose congênita é uma infecção parasitária causada pelo Toxoplasma gondii, transmitida da mãe para o feto durante a gestação. É uma das infecções TORCH e pode levar a uma série de malformações e sequelas neurológicas graves, sendo a hidrocefalia uma das manifestações mais devastadoras. A importância clínica reside na necessidade de diagnóstico precoce e tratamento adequado para minimizar os danos. A fisiopatologia da hidrocefalia na toxoplasmose congênita geralmente envolve uma ventriculite e ependimite, que levam à obstrução do fluxo do líquido cefalorraquidiano (LCR) ou à diminuição da sua reabsorção, resultando em acúmulo de LCR e dilatação ventricular. Os sinais clínicos em lactentes incluem irritabilidade, baixo ganho de peso, fontanelas abauladas e aumento progressivo do perímetro cefálico, indicando hipertensão intracraniana. O ultrassom transfontanelar é uma ferramenta diagnóstica crucial para avaliar a extensão da ventriculomegalia e a presença de calcificações. O tratamento da toxoplasmose congênita envolve terapia antiparasitária (pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico). No entanto, para a hidrocefalia sintomática e progressiva, a intervenção cirúrgica é frequentemente necessária. A derivação ventriculoperitoneal (DVP) é o procedimento de escolha, criando um caminho para o LCR ser drenado dos ventrículos cerebrais para a cavidade peritoneal, aliviando a pressão intracraniana e prevenindo danos cerebrais adicionais. Outras opções como a terceiroventriculocisternostomia endoscópica podem ser consideradas em casos selecionados de hidrocefalia obstrutiva.
A tríade clássica inclui hidrocefalia, calcificações intracranianas e coriorretinite. Outras manifestações podem ser hepatoesplenomegalia, icterícia, microcefalia ou macrocefalia, e convulsões.
A DVP é o tratamento mais eficaz para aliviar a pressão intracraniana causada pela hidrocefalia, drenando o excesso de líquido cefalorraquidiano para a cavidade peritoneal, onde é reabsorvido.
Os sinais incluem fontanela abaulada e tensa, aumento rápido do perímetro cefálico, irritabilidade, vômitos em jato, letargia, e o sinal do "sol poente" (olhos fixos para baixo).
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