Meningite Bacteriana: Complicações e Manejo da Hidrocefalia

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019

Enunciado

Menina de 6 anos encontra-se internada para tratamento de meningite bacteriana com ceftriaxone há cinco dias. Hoje, voltou a apresentar cefaleia holocraniana e vômitos, realizando tomografia de crânio. A conduta é

Alternativas

  1. A) ampliar espectro antimicrobiano.
  2. B) colher novo líquor para repetir cultura.
  3. C) introduzir manitol e corticoesteroide.
  4. D) realizar derivação ventricular.

Pérola Clínica

Cefaleia e vômitos persistentes em meningite bacteriana tratada → suspeitar de hidrocefalia/PIC elevada → imagem e considerar derivação.

Resumo-Chave

A persistência de sintomas como cefaleia e vômitos em um paciente com meningite bacteriana em tratamento, especialmente após alguns dias, sugere uma complicação como hidrocefalia ou aumento da pressão intracraniana. A tomografia de crânio é essencial para confirmar a hidrocefalia e, se presente, a derivação ventricular pode ser necessária para aliviar a pressão.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana é uma infecção grave das meninges que, apesar do tratamento antibiótico adequado, pode cursar com diversas complicações neurológicas, especialmente em crianças. A rápida identificação e manejo dessas complicações são cruciais para minimizar sequelas e mortalidade. A persistência de sintomas como cefaleia e vômitos, ou o surgimento de novos déficits neurológicos, deve sempre levantar a suspeita de uma complicação. Entre as complicações mais comuns e graves está a hidrocefalia, que pode ser comunicante ou não comunicante. A inflamação das meninges pode levar à formação de exsudatos que obstruem o fluxo liquórico nos forames de Monro, aqueduto de Sylvius ou nas cisternas basais, ou ainda prejudicar a reabsorção do líquor pelas vilosidades aracnoides. O aumento da pressão intracraniana resultante pode causar cefaleia, vômitos, papiledema e, em casos graves, herniação cerebral. O diagnóstico de hidrocefalia é confirmado por neuroimagem, como a tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio, que mostrarão dilatação ventricular. O tratamento da hidrocefalia aguda e sintomática, especialmente se obstrutiva, frequentemente requer a derivação ventricular externa ou interna para aliviar a pressão e restaurar o fluxo liquórico. A monitorização da pressão intracraniana e o manejo clínico de suporte são igualmente importantes.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais complicações neurológicas da meningite bacteriana?

As principais complicações incluem hidrocefalia, empiema subdural, trombose de seios venosos, abscesso cerebral, surdez, déficits neurológicos focais e convulsões.

Por que a hidrocefalia pode ocorrer durante ou após o tratamento da meningite bacteriana?

A hidrocefalia pode ocorrer devido à inflamação das leptomeninges, que pode levar à obstrução da circulação do líquor nos ventrículos ou à diminuição da absorção pelas granulações aracnoides, resultando em acúmulo e aumento da pressão intracraniana.

Quando a tomografia de crânio é indicada em pacientes com meningite bacteriana?

A tomografia de crânio é indicada se houver sinais de hipertensão intracraniana, déficits neurológicos focais, convulsões persistentes, alteração do nível de consciência ou se houver suspeita de complicações como hidrocefalia ou abscesso.

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