Hidrocefalia Neonatal por Neurotoxoplasmose: Manejo

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020

Enunciado

RN de termo apresenta macrocrania (perímetro cefálico de 39 cm), abaulamento da fontanela anterior e ingurgitamento de veias cefálicas. TC de crânio: sugestiva de neurotoxoplasmose (imagem a seguir). A melhor conduta é

Alternativas

  1. A) derivação ventricular externa.
  2. B) derivação ventricular para o peritônio.
  3. C) terceiro ventriculostomia endoscópica.
  4. D) expectante, com medidas periódicas do perímetro cefálico.

Pérola Clínica

RN com macrocrania + fontanela abaulada + neurotoxoplasmose → hidrocefalia sintomática = derivação ventriculoperitoneal.

Resumo-Chave

O quadro clínico de macrocrania, fontanela abaulada e ingurgitamento de veias cefálicas em um RN, associado a achados de neurotoxoplasmose na TC, é altamente sugestivo de hidrocefalia sintomática. A derivação ventriculoperitoneal é a conduta definitiva para aliviar a pressão intracraniana e prevenir danos neurológicos progressivos.

Contexto Educacional

A hidrocefalia neonatal é uma condição grave caracterizada pelo acúmulo excessivo de líquido cefalorraquidiano (LCR) nos ventrículos cerebrais, levando ao aumento da pressão intracraniana e dilatação ventricular. Em recém-nascidos, as causas podem ser congênitas (como malformações do sistema nervoso central) ou adquiridas (infecções intrauterinas, hemorragias). A neurotoxoplasmose congênita é uma causa importante de hidrocefalia, resultante da infecção fetal pelo Toxoplasma gondii. O diagnóstico de hidrocefalia em neonatos é suspeitado clinicamente pela macrocrania, abaulamento da fontanela e ingurgitamento das veias cefálicas. A confirmação e avaliação da etiologia são feitas por neuroimagem, como a tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) de crânio. Em casos de neurotoxoplasmose, a TC pode revelar calcificações intracranianas difusas e dilatação ventricular. A conduta para hidrocefalia sintomática em recém-nascidos é cirúrgica, visando desviar o LCR e aliviar a pressão. A derivação ventriculoperitoneal (DVP) é o procedimento mais comum e eficaz, onde um cateter é inserido no ventrículo e tunelizado até o peritônio, permitindo a absorção do LCR. A DVP é essencial para prevenir danos neurológicos irreversíveis e otimizar o desenvolvimento do bebê.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de hidrocefalia em um recém-nascido?

Os sinais incluem macrocrania progressiva, abaulamento e tensão da fontanela anterior, ingurgitamento das veias do couro cabeludo, irritabilidade, vômitos e, em casos avançados, sinal do sol poente.

Por que a neurotoxoplasmose pode causar hidrocefalia em neonatos?

A infecção congênita por Toxoplasma gondii pode levar à inflamação do sistema nervoso central, resultando em ependimite, aquedutite e obstrução do fluxo liquórico, causando hidrocefalia.

Quais são as principais complicações da derivação ventriculoperitoneal?

As complicações incluem disfunção da válvula (obstrução, quebra), infecção do shunt, superdrenagem ou subdrenagem, e, mais raramente, migração do cateter ou formação de pseudocistos.

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