USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Paciente, 3 anos de idade, do sexo masculino, previamente hígido, foi admitido no pronto-socorro com quadro de diarreia aguda há dois dias e baixa aceitação de líquidos. Chegou com desidratação grave, sendo obtido acesso venoso periférico e feita hidratação Endovenosa (EV). Após estabilização inicial, apresentou melhora da hidratação e das perdas, porém segue sem aceitar nada por via oral. O seu peso atual é de 14 kg. Os resultados dos exames laboratoriais atuais e o traçado eletrocardiográfico estão apresentados a seguir: Exames laboratoriais: pH: 7.35 pO₂: 100 mmHg pCO₂: 35 mmHg HCO₃⁻: 21,0 mEq/L SatO₂: 99% Potássio: 2,9 mEq/L Sódio: 132 mEq/L Em relação ao caso descrito, qual das prescrições é a mais adequada para o paciente?
Desidratação grave + hipocalemia em criança → correção EV de fluidos e eletrólitos, priorizando potássio.
Em crianças com desidratação grave e distúrbios eletrolíticos, a hidratação venosa deve ser cuidadosamente calculada para repor perdas e manter as necessidades basais, com atenção especial à correção da hipocalemia, que pode ser fatal. A via oral deve ser reintroduzida assim que possível.
A desidratação grave em crianças, frequentemente causada por diarreia aguda, é uma emergência pediátrica que requer intervenção imediata para prevenir complicações sérias e mortalidade. A avaliação do grau de desidratação é fundamental para guiar a terapia, que pode variar de reidratação oral a venosa. A fisiopatologia envolve a perda de água e eletrólitos, levando a distúrbios hidroeletrolíticos e acidobásicos. A hipocalemia e a hiponatremia são comuns e devem ser identificadas e corrigidas. O diagnóstico é clínico, baseado nos sinais de desidratação, e laboratorial, para avaliar eletrólitos e equilíbrio acidobásico. O tratamento inicial da desidratação grave é a hidratação venosa rápida, seguida pela terapia de manutenção e correção dos eletrólitos. A reposição de potássio é crucial e deve ser feita com cautela para evitar hipercalemia, mas sem subestimar a hipocalemia. A reintrodução da alimentação e hidratação oral deve ser feita assim que o paciente tolerar.
Sinais incluem letargia, olhos encovados, fontanela deprimida, boca seca, ausência de lágrimas, turgor cutâneo diminuído e enchimento capilar prolongado.
O cálculo de manutenção geralmente segue a regra de Holliday-Segar (100 mL/kg para os primeiros 10 kg, 50 mL/kg para os próximos 10 kg, e 20 mL/kg para cada kg adicional).
A hipocalemia é comum na diarreia devido às perdas gastrointestinais e pode causar arritmias cardíacas, fraqueza muscular e íleo paralítico, sendo crucial sua reposição.
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