Dengue: Orientações de Hidratação Oral para Pacientes Estáveis

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2020

Enunciado

Uma mulher de 45 anos, com diabetes tipo 2, residente em área com transmissão de dengue, vem à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com queixa de febre alta, falta de apetite, cefaleia, mialgias e dor ao movimentar os olhos há quatro dias. Nega sangramentos espontâneos. Ao exame, encontra-se febril (Tax 38ºC), com manchas avermelhadas na pele, pulso periférico forte, perfusão periférica preservada, PA 122 x 70 mmHg (sentado) / PA 115 x 67 mmHg (posição ortostática), prova do laço positiva, ritmo respiratório e FC normais. O médico suspeita de dengue e solicita a notificação. Considerando a história apresentada, assinale a alternativa CORRETA sobre quais orientações para a hidratação devem ser recomendadas:

Alternativas

  1. A) Hidratação oral com 40 ml/kg/dia, sendo 1/2 de solução salina.
  2. B) Hidratação venosa com 10 ml/kg de soro fisiológico na primeira hora.
  3. C) Hidratação oral com 30 ml/kg/dia, sendo 2/3 de solução salina.
  4. D) Hidratação venosa com 20 ml/kg de solução salina isotônica em até 20 minutos.
  5. E) Hidratação oral com 60 ml/kg/dia, sendo 1/3 de solução salina.

Pérola Clínica

Dengue sem sinais de alarme/choque → hidratação oral 60 mL/kg/dia (1/3 salina, 2/3 outros líquidos).

Resumo-Chave

Para pacientes com dengue sem sinais de alarme ou choque, a hidratação oral é a base do tratamento. A recomendação é de 60 mL/kg/dia, sendo um terço com solução salina (como soro de reidratação oral) e dois terços com outros líquidos, como água, sucos e água de coco.

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública, e o manejo adequado da hidratação é a pedra angular do tratamento, especialmente para prevenir a progressão para as formas graves da doença. A classificação de risco dos pacientes é crucial para guiar a conduta, dividindo-os em grupos A, B, C e D, com base na presença de sinais de alarme, comorbidades e sinais de choque. No caso apresentado, a paciente, apesar de ter diabetes (comorbidade que a colocaria no Grupo B), não apresenta sinais de alarme ou choque, e a questão foca nas orientações para hidratação oral. Para pacientes do Grupo A (sem sinais de alarme ou comorbidades) e para aqueles do Grupo B que toleram a via oral e estão estáveis, a hidratação oral é a primeira escolha. A recomendação padrão é de 60 mL/kg/dia de líquidos, sendo um terço com soluções salinas (como soro de reidratação oral) e dois terços com outros líquidos, como água, sucos de frutas e água de coco. É fundamental que os residentes compreendam a importância da hidratação precoce e adequada, monitorando rigorosamente os sinais de alarme e a evolução clínica. A prova do laço positiva, embora não seja um sinal de alarme direto, indica fragilidade capilar e exige atenção. A educação do paciente sobre a ingestão de líquidos é vital para o sucesso do tratamento ambulatorial e para evitar a necessidade de intervenções mais invasivas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar um paciente com dengue no Grupo A (sem sinais de alarme)?

O Grupo A inclui pacientes com dengue que não apresentam sinais de alarme (dor abdominal intensa, vômitos persistentes, hipotensão postural, sangramentos espontâs, etc.), não possuem comorbidades ou condições clínicas especiais (gravidez, idade avançada) e não apresentam risco social.

Qual a importância da prova do laço positiva em um paciente com suspeita de dengue?

A prova do laço positiva indica fragilidade capilar e é um critério para classificar o paciente no Grupo B (dengue com sinais de alarme ou condições especiais). Embora não seja um sinal de gravidade por si só, sugere maior risco e requer monitoramento mais rigoroso.

Quando a hidratação venosa é indicada no manejo da dengue?

A hidratação venosa é indicada para pacientes com dengue que apresentam sinais de alarme, sinais de choque, desidratação grave, ou que não toleram a hidratação oral. Nesses casos, a reposição volêmica rápida com soro fisiológico é crucial para prevenir a progressão para formas graves da doença.

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