UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
A ultrassonografia para investigação de dor abdominal em um homem de 45 anos revelou cisto esplênico dominante, com presença de calcificações capsulares e de dois pequenos cistos adjacentes com as mesmas características. Levando-se em conta que a dosagem de anticorpos para Echinococcus foi positiva, o tratamento indicado consiste em:
Cisto esplênico + calcificação + sorologia (+) para Echinococcus → Esplenectomia (risco de anafilaxia).
A hidatidose esplênica requer tratamento cirúrgico definitivo, preferencialmente a esplenectomia, devido ao risco de ruptura, disseminação peritoneal e choque anafilático.
A hidatidose é uma infecção parasitária causada pela larva do Echinococcus granulosus. Embora o acometimento esplênico seja menos comum que o hepático ou pulmonar, ele representa um desafio cirúrgico. O diagnóstico baseia-se na tríade: epidemiologia sugestiva, imagem característica (cistos com calcificações ou vesículas filhas) e sorologia positiva. O tratamento cirúrgico é mandatório para cistos grandes ou sintomáticos. A esplenectomia total é preferida em relação a procedimentos conservadores (como o destelhamento ou a enucleação) devido à arquitetura do baço, que dificulta o controle de sangramento e a obliteração do espaço morto após a remoção do cisto. O uso de albendazol no período perioperatório é frequentemente indicado para reduzir a viabilidade parasitária e prevenir recorrências.
Diferente do fígado, onde técnicas conservadoras podem ser aplicadas, o baço é um órgão extremamente vascularizado e friável. Cistos hidáticos esplênicos, especialmente os dominantes com calcificações ou múltiplos, apresentam alto risco de ruptura intraoperatória. A esplenectomia garante a remoção completa do parasita, minimizando o risco de recidiva e de complicações anafiláticas graves decorrentes do extravasamento do líquido cístico.
O líquido contido no cisto hidático é altamente antigênico. Sua ruptura, seja espontânea ou iatrogênica (durante punção ou cirurgia), pode desencadear uma reação de hipersensibilidade sistêmica imediata, evoluindo para choque anafilático. Além disso, ocorre a liberação de protoescólices na cavidade abdominal, levando à hidatidose secundária (semeadura peritoneal).
Na ultrassonografia ou tomografia, a hidatidose costuma se apresentar como cistos com 'membranas destacadas', presença de cistos-filhos em seu interior ou calcificações capsulares em 'casca de ovo'. A presença dessas características em um paciente com sorologia positiva para Echinococcus confirma o diagnóstico de equinococose cística.
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