CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2025
Assinale a alternativa correta quanto aos padrões de herança genética.
Heteroplasmia = coexistência de DNA mitocondrial normal e mutado → gravidade clínica variável.
A heteroplasmia explica por que membros de uma mesma família com doenças mitocondriais apresentam sintomas e gravidades diferentes, dependendo da proporção de mitocôndrias afetadas em cada tecido.
A genética mitocondrial rompe com os padrões mendelianos clássicos. Enquanto o DNA nuclear segue a segregação equitativa, o DNA mitocondrial sofre segregação replicativa aleatória durante as divisões celulares. Isso significa que, ao longo do desenvolvimento embrionário, diferentes linhagens celulares podem acabar com proporções distintas de mitocôndrias mutadas. As doenças mitocondriais frequentemente se apresentam como encefalomiopatias, refletindo a alta dependência de ATP desses sistemas. Exemplos clássicos incluem a Síndrome de MELAS (Encefalomiopatia mitocondrial, acidose lática e episódios tipo AVC) e a Neuropatia Óptica Hereditária de Leber (LHON). O entendimento da heteroplasmia é vital para o aconselhamento genético, embora a previsão exata do risco de recorrência e gravidade seja desafiadora devido à natureza estocástica da distribuição mitocondrial.
Heteroplasmia é a presença de mais de um tipo de genoma organelar (DNA mitocondrial) dentro de uma única célula ou indivíduo. Em condições normais, todas as mitocôndrias possuem o mesmo DNA (homoplasmia). Quando ocorre uma mutação no DNA mitocondrial (mtDNA), cria-se uma mistura de moléculas selvagens (normais) e mutadas. A proporção entre essas moléculas determina se o limiar para a disfunção celular será atingido, influenciando diretamente a gravidade clínica e a idade de início dos sintomas.
Durante a fertilização, quase todas as mitocôndrias do zigoto são derivadas do ovócito. As mitocôndrias presentes no espermatozoide estão localizadas na peça intermediária (cauda), que geralmente não entra no óvulo ou, se entra, suas mitocôndrias são marcadas com ubiquitina e degradadas pelo citoplasma ovular. Portanto, doenças causadas por mutações no mtDNA são transmitidas por mulheres a todos os seus filhos, mas homens afetados não transmitem a condição para sua prole.
A expressividade fenotípica nas doenças mitocondriais depende do 'efeito limiar'. Diferentes tecidos têm diferentes demandas energéticas; tecidos como cérebro, coração e músculos são mais sensíveis. Se a carga de mtDNA mutado (nível de heteroplasmia) ultrapassar o limiar de tolerância daquele tecido específico, o fenótipo da doença se manifesta. Isso explica a grande variabilidade clínica entre indivíduos com a mesma mutação mitocondrial.
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