ENARE/ENAMED — Prova 2024
Durante uma consulta de rotina, observa-se que um menino de 4 anos está com cartão vacinal incompleto. Ele compareceu à consulta acompanhado de sua mãe, que relata para o profissional que tem medo de vacinar o filho, pois frequentemente vê na mídia ou em grupos de mensagens que as vacinas podem causar autismo. Ela mesma não se vacina há mais de 10 anos. Diante dessa mãe – que tem um comportamento denominado hesitação vacinal – qual deve ser a postura do profissional de saúde?
Hesitação vacinal → Expor riscos e benefícios da vacinação, enfatizando que benefícios superam riscos, com comunicação empática.
Diante da hesitação vacinal, o profissional de saúde deve adotar uma postura empática e informativa, reconhecendo as preocupações do paciente. É fundamental apresentar de forma clara e transparente os riscos (mínimos) e os benefícios (substanciais) da vacinação, explicando que os benefícios superam amplamente os riscos, para promover uma decisão informada e aumentar a adesão.
A hesitação vacinal, definida como o atraso na aceitação ou recusa de vacinas, apesar da disponibilidade dos serviços de vacinação, representa um desafio crescente para a saúde pública global. É um fenômeno complexo influenciado por fatores como confiança (na eficácia e segurança das vacinas, no sistema de saúde e nos profissionais), complacência (percepção de baixo risco de doenças evitáveis por vacinação) e conveniência (acessibilidade aos serviços). A desinformação, especialmente a disseminada por mídias sociais, desempenha um papel significativo na formação de crenças errôneas, como a falsa ligação entre vacinas e autismo. Diante de um paciente ou responsável com hesitação vacinal, a postura do profissional de saúde é fundamental. Abordagens diretas e confrontacionais tendem a ser ineficazes e podem aumentar a resistência. Em vez disso, uma comunicação empática, que ouça ativamente as preocupações, valide os sentimentos e forneça informações claras e baseadas em evidências, é mais eficaz. É crucial reconhecer que os pacientes têm o direito de expressar suas preocupações e que o papel do profissional é educar e esclarecer, não impor. Nesse contexto, é imperativo que os profissionais de saúde exponham de forma transparente que, embora todas as intervenções médicas possuam riscos (mínimos e geralmente leves no caso das vacinas), os benefícios da vacinação na prevenção de doenças graves e na proteção da saúde individual e coletiva superam amplamente esses riscos. A discussão deve ser equilibrada, focando na ciência e nos dados epidemiológicos, e adaptada ao nível de compreensão do paciente, visando construir confiança e promover uma decisão informada em prol da vacinação. A comunicação padronizada é menos eficaz do que a comunicação ajustada às preocupações específicas de cada indivíduo.
As causas são multifatoriais e incluem falta de confiança na segurança e eficácia das vacinas, desinformação (especialmente online), medo de efeitos adversos (como a falsa ligação com autismo), influência de grupos antivacina, e falta de acesso ou conveniência aos serviços de vacinação.
O profissional deve explicar que múltiplos estudos científicos robustos e independentes demonstraram que não há nenhuma ligação causal entre vacinas (especialmente a tríplice viral) e autismo. É importante apresentar evidências claras e refutar o mito, ao mesmo tempo em que se valida a preocupação da mãe e se oferece informações confiáveis.
A comunicação empática é crucial para construir confiança e estabelecer um relacionamento de respeito com o paciente. Ao ouvir ativamente as preocupações, validar os sentimentos e responder com informações claras e não julgadoras, o profissional pode ajudar a dissipar medos e promover uma decisão informada sobre a vacinação.
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