Herpes Zoster em Idosos: Terapia Antiviral e Prevenção

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 72 anos comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de dor moderada, em queimação, em faces dorsal, lateral e anterior do hemitórax esquerdo há dois dias. Nega comorbidades ou outros sintomas. Ao exame: Peso = 70 kg; Estado geral regular; à inspeção, são vistas as lesões a seguir (foto). Restante do exame físico normal. Está em uso de dipirona e anti-inflamatório não hormonal com controle parcial da dor. Qual das opções define corretamente o tratamento recomendado para este caso?

Alternativas

  1. A) Aciclovir 800 mg via oral cinco vezes ao dia por uma semana.
  2. B) Valaciclovir 500 mg via oral duas vezes ao dia por uma semana.
  3. C) Ganciclovir 350 mg intravenoso duas vezes ao dia por três semanas.
  4. D) Fanciclovir 500 mg via oral três vezes ao dia até a cicatrização das lesões.

Pérola Clínica

Herpes Zoster: Iniciar antiviral oral (Aciclovir 800mg 5x/dia) nas primeiras 72h para >60 anos/imunocomprometidos.

Resumo-Chave

O tratamento do Herpes Zoster com antivirais orais (aciclovir, valaciclovir ou fanciclovir) é crucial, especialmente em pacientes idosos (>60 anos) ou imunocomprometidos, para reduzir a gravidade da doença e prevenir a neuralgia pós-herpética. O aciclovir é administrado em dose de 800 mg, cinco vezes ao dia, por 7 dias.

Contexto Educacional

O Herpes Zoster é uma condição dolorosa causada pela reativação do vírus Varicella Zoster, que se manifesta com uma erupção vesicular em padrão dermatomal. A incidência e a gravidade aumentam com a idade, sendo que pacientes acima de 60 anos e imunocomprometidos são os mais suscetíveis a formas mais graves da doença e a complicações, como a neuralgia pós-herpética (NPH). A NPH é a complicação mais comum e debilitante, caracterizada por dor crônica que persiste por mais de 90 dias após a cicatrização das lesões. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na apresentação típica de dor unilateral seguida por vesículas agrupadas em uma faixa dermatomal. O tratamento antiviral é a pedra angular do manejo e deve ser iniciado o mais rápido possível, idealmente dentro de 72 horas do início da erupção, para maximizar sua eficácia. Os antivirais disponíveis incluem aciclovir, valaciclovir e fanciclovir. O aciclovir é o mais antigo e amplamente utilizado, com uma dose de 800 mg, administrada cinco vezes ao dia, por um período de sete dias. Valaciclovir e fanciclovir são pró-drogas do aciclovir e penciclovir, respectivamente, e oferecem a vantagem de um regime de dosagem menos frequente (duas a três vezes ao dia), o que pode melhorar a adesão do paciente. Além da terapia antiviral, o manejo da dor é essencial e pode incluir analgésicos simples, anti-inflamatórios não esteroides, opioides e, para NPH, gabapentina, pregabalina ou antidepressivos tricíclicos. A vacinação contra Herpes Zoster é uma medida preventiva importante para reduzir a incidência e a gravidade da doença, especialmente em idosos.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do tratamento precoce do Herpes Zoster?

O tratamento precoce com antivirais, idealmente nas primeiras 72 horas do início da erupção, é fundamental para reduzir a replicação viral, diminuir a intensidade e duração da dor aguda, acelerar a cicatrização das lesões e, principalmente, prevenir a neuralgia pós-herpética, uma complicação debilitante.

Quais são as opções de antivirais para Herpes Zoster e suas dosagens?

As principais opções são aciclovir (800 mg, 5 vezes ao dia por 7 dias), valaciclovir (1000 mg, 3 vezes ao dia por 7 dias) e fanciclovir (500 mg, 3 vezes ao dia por 7 dias). Valaciclovir e fanciclovir oferecem a vantagem de menor frequência de doses.

Quais pacientes têm maior risco de neuralgia pós-herpética?

Os principais fatores de risco para neuralgia pós-herpética incluem idade avançada (>60 anos), dor prodrômica intensa, erupção cutânea grave e presença de imunossupressão. O tratamento antiviral precoce é a melhor estratégia para reduzir esse risco.

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