CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Qual o tratamento sistêmico mais adequado, entre os listados abaixo, para um paciente adulto que apresenta ceratite infecciosa aguda associada ao herpes zoster?
Herpes Zoster Oftálmico → Valaciclovir 1g 8/8h ou Aciclovir 800mg 5x/dia por 7-10 dias.
O tratamento sistêmico precoce (idealmente em 72h) reduz a gravidade da ceratite e a incidência de neuralgia pós-herpética, sendo o Valaciclovir preferível pela posologia.
O Herpes Zoster Oftálmico (HZO) resulta da reativação do vírus Varicela-Zoster no gânglio trigeminal, afetando especificamente o ramo oftálmico (V1). Clinicamente, manifesta-se por um rash cutâneo dermatômico que respeita a linha média, frequentemente precedido por dor ou parestesia. O sinal de Hutchinson (vesículas na ponta do nariz) indica envolvimento do nervo nasociliar e alta probabilidade de inflamação intraocular. O manejo exige uma abordagem sistêmica robusta. Antivirais orais reduzem a duração da excreção viral e a dor aguda. Além do tratamento antiviral, o uso de corticoides tópicos pode ser necessário para complicações inflamatórias secundárias, como ceratite estromal ou uveíte anterior, mas sempre sob estreita vigilância oftalmológica para evitar o agravamento de infecções oportunistas ou aumento da pressão intraocular.
A dose padrão para adultos imunocompetentes com Herpes Zoster Oftálmico é de 1000 mg de Valaciclovir, administrados por via oral, três vezes ao dia (8/8h), durante um período de 7 a 10 dias. O Valaciclovir é frequentemente preferido em relação ao Aciclovir devido à sua maior biodisponibilidade oral e ao esquema posológico mais simples, o que favorece a adesão do paciente ao tratamento. O início precoce, preferencialmente nas primeiras 72 horas após o surgimento das vesículas cutâneas, é crucial para minimizar o dano ocular e reduzir o risco de neuralgia pós-herpética crônica.
Diferente do Herpes Simples, onde o tratamento tópico pode ser isolado em alguns casos de ceratite epitelial, o Herpes Zoster Oftálmico exige obrigatoriamente terapia antiviral sistêmica. Isso ocorre porque o vírus Varicela-Zoster (VZV) causa uma doença neural e sistêmica mais agressiva. O tratamento sistêmico reduz a replicação viral nos gânglios nervosos, acelera a cicatrização das lesões cutâneas, diminui a incidência de complicações oculares graves como uveíte, ceratite estromal e necrose retiniana aguda, além de ser a principal estratégia para prevenir a neuralgia pós-herpética, uma complicação debilitante.
O Aciclovir é uma alternativa eficaz quando o Valaciclovir não está disponível ou por questões de custo. A dose para Herpes Zoster é de 800 mg, cinco vezes ao dia, por 7 a 10 dias. É importante ressaltar que a dose de 400 mg (usada para Herpes Simples) é insuficiente para o VZV. Em pacientes imunocomprometidos ou com envolvimento ocular grave que ameace a visão (como necrose retiniana), a internação para administração de Aciclovir endovenoso (10 mg/kg a cada 8 horas) deve ser considerada para garantir níveis terapêuticos rápidos e eficazes.
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