Herpes Zoster em Imunocomprometidos: Diagnóstico e Manejo

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020

Enunciado

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do parágrafo abaixo. Paciente de 65 anos, transplantado renal há 10 anos, veio à consulta por erupção cutânea formada por vesículas agrupadas, distribuídas em faixa sobre base eritematosa na região occipital esquerda até a região retroauricular ipsilateral. Referiu dor e parestesias no local. Não apresentava lesões em outras áreas do tegumento ou em mucosas. O quadro foi precedido por cansaço, mal-estar e febrículas 2 dias antes da erupção cutânea. Utilizou dipirona (3 vezes/dia) para controle da febre naquele momento. À avaliação, encontrava-se em bom estado geral, lúcido, orientado e com sinais vitais normais. Frente ao provável quadro de _________, o manejo mais adequado é prescrever __________.

Alternativas

  1. A) eritema multiforme - corticoterapia sistêmica
  2. B)  síndrome de Stevens-Johnson - corticoterapia sistêmica
  3. C)  síndrome de Stevens-Johnson - imunoglobulina intravenosa
  4. D)  herpes-zóster - aciclovir tópico
  5. E)  herpes-zóster - aciclovir sistêmico

Pérola Clínica

Herpes Zoster em imunocomprometidos → Aciclovir sistêmico precoce para reduzir complicações.

Resumo-Chave

Pacientes imunocomprometidos, como transplantados renais, têm maior risco de Herpes Zoster e suas complicações. O tratamento antiviral sistêmico (ex: aciclovir) deve ser iniciado o mais rápido possível, idealmente nas primeiras 72 horas do início da erupção, para reduzir a gravidade e a duração da doença, bem como o risco de neuralgia pós-herpética.

Contexto Educacional

O Herpes Zoster, ou cobreiro, é uma doença causada pela reativação do vírus Varicella Zoster (VVZ), o mesmo vírus que causa a catapora. Após a infecção primária (catapora), o VVZ permanece latente nos gânglios sensoriais e pode ser reativado em momentos de baixa imunidade, como em idosos, pacientes com doenças crônicas ou imunossuprimidos (ex: transplantados). A incidência e a gravidade aumentam significativamente com a idade e em pacientes com comprometimento do sistema imune, tornando o diagnóstico e tratamento precoces cruciais. A apresentação clínica clássica envolve dor neuropática e uma erupção cutânea vesicular unilateral, distribuída em um dermátomo específico. O quadro pode ser precedido por sintomas prodrômicos inespecíficos como febre, mal-estar e parestesias no local da futura erupção. A dor é frequentemente descrita como queimação, pontada ou choque. A complicação mais temida é a neuralgia pós-herpética (NPH), uma dor crônica e debilitante que persiste por meses ou anos após a cicatrização das lesões cutâneas. O tratamento do Herpes Zoster visa reduzir a dor aguda, acelerar a cicatrização das lesões e, principalmente, prevenir a NPH. Antivirais sistêmicos como aciclovir, valaciclovir ou fanciclovir são a base da terapia e devem ser iniciados nas primeiras 72 horas do aparecimento das lesões para maior eficácia. Em pacientes imunocomprometidos, o tratamento é ainda mais urgente e pode exigir doses mais elevadas ou duração prolongada. O manejo da dor inclui analgésicos e, em casos de NPH, gabapentina, pregabalina ou antidepressivos tricíclicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas típicos do Herpes Zoster?

O Herpes Zoster é caracterizado por uma erupção cutânea vesicular dolorosa, em faixa (dermatomal), unilateral, precedida por dor, parestesias e sintomas prodrômicos como febre e mal-estar. As vesículas evoluem para crostas em 7 a 10 dias.

Qual a conduta inicial para Herpes Zoster em pacientes imunocomprometidos?

Em pacientes imunocomprometidos, a conduta inicial é a prescrição de antiviral sistêmico (aciclovir, valaciclovir ou fanciclovir) o mais rápido possível, idealmente nas primeiras 72 horas do início da erupção, para reduzir a gravidade da doença e o risco de complicações como a neuralgia pós-herpética.

Por que o aciclovir sistêmico é preferível ao tópico no Herpes Zoster?

O aciclovir sistêmico atua inibindo a replicação viral em todo o organismo, tratando a infecção subjacente e prevenindo a disseminação e as complicações sistêmicas, como a neuralgia pós-herpética. O aciclovir tópico tem eficácia limitada e não é recomendado para o tratamento do Herpes Zoster.

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