Herpes Zoster: Diagnóstico, Tratamento e Complicações

HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2024

Enunciado

Considere a situação a seguir: J.M.F, sexo masculino, 32 anos, procura o serviço de saúde com quadro de dor intensa e ardor em região lateral e posterior de tórax a direita. Negava tosse, febre, sintomas respiratórios e demais queixas. Ao exame físico, o médico notou vesículas sobre uma base eritematosa em faixa, no local da dor, sem demais alterações clínicas. Nesse contexto, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) O exame laboratorial sempre deve ser solicitado ao paciente para confirmação do diagnóstico, sendo o mais indicado a imunofluorescência indireta (IFI).
  2. B) O tratamento indicado no caso acima é corticoide tópico para redução das lesões cutâneas e analgesia para o quadro de dor.
  3. C) As doenças como hanseníase, sífilis primária e leishmaniose cutânea são importantes de se considerar no diagnóstico diferencial deste paciente.
  4. D) Uma possível complicação neste quadro pode ser a nevralgia pós-herpética, apesar de ser mais frequente em mulheres.

Pérola Clínica

Herpes Zoster: lesões vesiculares em faixa unilateral, dor intensa. Complicação comum: nevralgia pós-herpética.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor intensa e ardor em região torácica unilateral, seguido por vesículas em faixa, é altamente sugestivo de Herpes Zoster. A principal complicação é a nevralgia pós-herpética, que pode ser debilitante e é mais comum em idosos e imunocomprometidos, embora possa ocorrer em qualquer idade.

Contexto Educacional

O Herpes Zoster, popularmente conhecido como cobreiro, é uma reativação do vírus Varicela Zoster (VVZ), o mesmo vírus que causa a catapora. Após a infecção primária (catapora), o VVZ permanece latente nos gânglios sensitivos e pode ser reativado em momentos de imunossupressão ou estresse, resultando em uma erupção cutânea dolorosa e vesicular que segue um dermátomo. A incidência aumenta com a idade e em pacientes imunocomprometidos. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na apresentação característica de dor unilateral seguida por lesões vesiculares em faixa. Exames laboratoriais como imunofluorescência ou PCR podem ser úteis em casos atípicos, mas não são rotineiramente necessários para a maioria dos diagnósticos. O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, idealmente dentro de 72 horas do início das lesões, com antivirais como aciclovir, valaciclovir ou fanciclovir, para reduzir a replicação viral, a gravidade da dor aguda e o risco de complicações. A principal complicação é a nevralgia pós-herpética (NPH), uma dor neuropática crônica que pode persistir por meses ou anos após a cicatrização das lesões. A NPH é mais comum em idosos, mas pode afetar qualquer faixa etária, e seu manejo envolve analgésicos específicos para dor neuropática. O diagnóstico diferencial inclui outras condições dermatológicas como herpes simples, dermatite de contato ou celulite, mas a distribuição dermatomérica e a dor intensa são características do Herpes Zoster. A vacinação é uma medida preventiva eficaz para reduzir a incidência e a gravidade da doença e suas complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos do Herpes Zoster?

O Herpes Zoster tipicamente se manifesta com dor, ardor ou parestesia em uma área localizada, seguida pelo surgimento de lesões vesiculares sobre uma base eritematosa, dispostas em faixa (dermátomo), que não cruzam a linha média. A dor pode ser intensa e preceder as lesões cutâneas.

Qual é o tratamento indicado para o Herpes Zoster?

O tratamento principal para o Herpes Zoster é antiviral (aciclovir, valaciclovir ou fanciclovir), iniciado preferencialmente nas primeiras 72 horas do início das lesões para reduzir a duração da dor e o risco de nevralgia pós-herpética. Analgésicos são usados para controle da dor e, em alguns casos, corticoides sistêmicos podem ser considerados.

O que é a nevralgia pós-herpética e como ela pode ser prevenida?

A nevralgia pós-herpética é uma complicação crônica do Herpes Zoster, caracterizada por dor persistente na área afetada mesmo após a cicatrização das lesões, durando mais de 3 meses. A prevenção inclui o início precoce da terapia antiviral e a vacinação contra o Herpes Zoster, especialmente em idosos.

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