TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023
Um paciente do sexo masculino, 65 anos, encontra-se há cinco dias com dor intensa em regiões escapular e precordial esquerda, com períodos de melhora, piorando à noite e sem relação com os esforços. Ao exame, o paciente apresentava taquicardia, palidez cutânea, placas eritematosas encimadas por vesículas isoladas e agrupadas, algumas com discreta umbilicação, que se distribuem desde a região escapular até a região esternal esquerda. O agente etiológico mais provável para o caso é:
Dor intensa + vesículas agrupadas com distribuição dermatômica unilateral = Herpes Zoster.
O Herpes Zoster é a reativação do vírus varicela-zoster latente, caracterizando-se por dor neuropática prodrômica seguida de erupção vesicular em um dermátomo específico.
O Herpes Zoster é uma condição frequente em idosos devido à imunossenescência. A apresentação clássica envolve um pródromo de dor que pode simular emergências viscerais. A erupção cutânea subsequente evolui de pápulas para vesículas umbilicadas, pústulas e crostas, sempre seguindo um trajeto nervoso. O tratamento precoce com antivirais (Aciclovir, Valaciclovir) nas primeiras 72 horas é fundamental para reduzir a gravidade e o risco de neuralgia pós-herpética. A vacinação é a estratégia preventiva mais eficaz para adultos acima de 50 anos, visando reforçar a imunidade celular específica contra o VZV.
Após a infecção primária (varicela), o vírus varicela-zoster (VZV) permanece latente nos gânglios das raízes dorsais. Com o declínio da imunidade celular, o vírus se replica e viaja retrogradamente pelo nervo sensorial até a pele, causando inflamação neuronal e as lesões cutâneas características no dermátomo correspondente. O envelhecimento e a imunossupressão são os principais gatilhos para essa reativação.
O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na dor neuropática (queimação ou pontada) e no aparecimento de vesículas sobre base eritematosa com distribuição unilateral, respeitando a linha média. Em casos duvidosos, pode-se realizar o teste de Tzanck, PCR para VZV ou imunofluorescência direta a partir do fluido das vesículas, embora raramente necessários na prática comum.
A complicação mais comum e debilitante é a neuralgia pós-herpética (NPH), definida como dor que persiste por mais de 90 dias após o desaparecimento das lesões cutâneas. A NPH resulta de danos aos nervos periféricos durante a reativação viral e pode causar dor crônica intensa, impactando severamente a qualidade de vida, especialmente em pacientes idosos.
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