UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019
Gestante de 36 semanas, refere início de quadro álgico em região de grandes lábios bilaterais, há 2 dias, com sensação de queimação e presença de úlceras locais. Refere que, antes das úlceras, surgiram vesículas. Ao exame: linfadenopatia inguinal bilateral, móvel, ligeiramente, dolorosa, e presença de úlceras coalescentes de base rasa, dolorosas. Foram solicitadas sorologias para DSTs e optado por realizar raspado citológico da lesão que mostrou presença de células multinucleadas de Tzank. Sobre o caso descrito, assinale a opção correta.
Herpes genital ativo no parto → alto risco transmissão vertical → cesárea.
O caso descreve um quadro de herpes genital primário ou recorrência em gestante, confirmado pelas células de Tzank. A transmissão vertical do HSV ocorre predominantemente durante o parto vaginal, quando o feto entra em contato com as lesões ativas no canal de parto. Por isso, a presença de lesões ativas no momento do parto é uma indicação de cesariana.
O herpes genital na gravidez é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão vertical para o neonato, que pode resultar em herpes neonatal, uma condição grave com alta morbidade e mortalidade. O agente etiológico é o vírus Herpes Simplex (HSV), mais comumente o HSV-2. O diagnóstico é clínico, com lesões vesiculares que evoluem para úlceras dolorosas, e pode ser confirmado por exames como o teste de Tzank, que revela células multinucleadas. A fisiopatologia da transmissão vertical do HSV é predominantemente periparto. A maioria das infecções neonatais ocorre quando o bebê é exposto ao vírus no canal de parto, ao entrar em contato com lesões ativas maternas. A transmissão intrauterina é rara, e a transmissão pós-natal é possível, mas menos comum, geralmente por contato direto com lesões ativas em outras partes do corpo da mãe ou cuidadores. O manejo da gestante com herpes genital envolve a supressão viral com antivirais orais no final da gestação (a partir de 36 semanas) para reduzir a chance de lesões ativas no parto. A principal medida para prevenir a transmissão vertical é a indicação de cesariana em casos de lesões herpéticas ativas ou sintomas prodrômicos no momento do trabalho de parto ou ruptura de membranas. O aleitamento materno não é contraindicado, a menos que existam lesões ativas na mama.
A infecção neonatal por HSV pode ser grave, causando doença disseminada, encefalite ou doença mucocutânea, com alta morbidade e mortalidade se não tratada precocemente.
A cesariana é indicada quando há lesões herpéticas ativas (vesículas, úlceras) no trato genital ou sintomas prodrômicos (dor, prurido) no início do trabalho de parto ou ruptura de membranas, para evitar o contato do neonato com o vírus.
Não, o Aciclovir tópico tem eficácia limitada. O tratamento de escolha para herpes genital na gravidez, especialmente para supressão ou episódios ativos, é com antivirais orais como Aciclovir, Valaciclovir ou Fanciclovir.
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