Herpes Genital Ativo no Parto: Indicação de Cesariana

INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Gestante com 37 semanas e 5 dias apresenta metrossistoles 4/10’/50’’, colo 90% apagado, dilatado 2cm, com a bolsa íntegra. O exame da vulva revela múltiplas lesões vesiculosas, algumas ulceradas, que segundo a paciente surgiram há poucos dias e que nunca apresentou quadro clínico semelhante anteriormente. Qual a conduta mais adequada para o caso?

Alternativas

  1. A) Aciclovir por via oral durante 7 dias.
  2. B) Tocólise e aciclovir por 7 dias.
  3. C) Aguardar evolução do trabalho de parto e tratar a infecção no puerpério com aciclovir por via oral durante 7 dias.
  4. D) Indicar cesariana.
  5. E) Iniciar tratamento com aciclovir venoso e aguardar evolução do parto.

Pérola Clínica

Herpes genital primário ativo no termo → cesariana para evitar transmissão vertical e infecção neonatal grave.

Resumo-Chave

A presença de lesões herpéticas genitais ativas, especialmente em um quadro de infecção primária (como sugerido pela ausência de quadros anteriores), no momento do trabalho de parto ou próximo a ele, é uma indicação absoluta de cesariana para prevenir a transmissão vertical do vírus herpes simplex (HSV) para o recém-nascido, que pode causar infecção neonatal grave.

Contexto Educacional

O herpes genital na gravidez, causado pelo vírus herpes simplex (HSV), é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão vertical para o recém-nascido. A infecção neonatal por HSV é uma condição grave, com potencial para causar doença disseminada, encefalite ou lesões mucocutâneas, resultando em alta morbidade e mortalidade. A transmissão do HSV para o feto ocorre principalmente durante o parto vaginal, quando o bebê entra em contato com as lesões ativas no canal de parto. O risco é maior em casos de infecção primária materna, pois a mãe ainda não desenvolveu anticorpos protetores em níveis suficientes para transferir ao feto. A apresentação de lesões vesiculosas e ulceradas, que surgiram há poucos dias e sem histórico prévio, sugere uma infecção primária. Diante de uma gestante em trabalho de parto com lesões herpéticas genitais ativas, a conduta mais adequada é a indicação de cesariana. Esta medida visa evitar o contato do recém-nascido com as lesões e, consequentemente, prevenir a infecção neonatal. O tratamento com aciclovir pode ser iniciado, mas não elimina a necessidade da cesariana na presença de lesões ativas no momento do parto.

Perguntas Frequentes

Qual o risco da infecção por herpes simplex no recém-nascido?

A infecção neonatal por HSV pode ser devastadora, causando doença disseminada, encefalite ou doença mucocutânea, com alta morbidade e mortalidade se não tratada prontamente. A transmissão ocorre principalmente durante o parto vaginal.

Quando o aciclovir é indicado para gestantes com herpes genital?

O aciclovir é indicado para tratamento de episódios primários ou recorrentes de herpes genital na gestação e para supressão viral a partir de 36 semanas em gestantes com história de herpes, visando reduzir a chance de lesões ativas no parto. No entanto, não substitui a cesariana se houver lesões ativas no termo.

Qual a diferença de conduta entre herpes primário e recorrente no parto?

Em casos de herpes primário com lesões ativas no termo, a cesariana é a conduta padrão devido ao alto risco de transmissão. Em herpes recorrente, o risco é menor, mas a presença de lesões ativas no início do trabalho de parto também indica cesariana. A profilaxia com aciclovir a partir de 36 semanas é recomendada para reduzir a recorrência.

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