Herpes Genital na Gestação: Diagnóstico e Conduta

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Primigesta, 21 anos de idade, 29 semanas, relata aparecimento de lesões vesiculosas na vulva há 5 dias, demonstradas na imagem. Relata que, em 2 dias, transformaram-se em pequenas úlceras, precedidas de sintomas de ardência, prurido e dor. Apresentou também febre, prostração, cefaleia e mialgia. Nega quadro semelhante anterior, nega outras doenças. O exame clínico confirma as lesões descritas.a) Nesse caso, qual é o diagnóstico provável e qual deve ser a conduta terapêutica?b) Qual é a orientação sobre os cuidados no momento do parto? 

Alternativas

Pérola Clínica

Vesículas/úlceras dolorosas + sintomas sistêmicos → Herpes Primária. Aciclovir oral + Parto vaginal se sem lesões.

Resumo-Chave

O primeiro episódio de herpes genital na gestação exige tratamento antiviral sistêmico para reduzir sintomas e excreção viral. A via de parto é decidida pela presença de lesões ativas no início do trabalho de parto.

Contexto Educacional

A herpes simples genital é uma das principais causas de úlceras genitais no mundo. Na gestação, a preocupação principal é a transmissão vertical, que ocorre majoritariamente durante o parto (85% dos casos de herpes neonatal). O risco de transmissão é significativamente maior (cerca de 30-50%) em casos de infecção primária adquirida no terceiro trimestre, comparado a recorrências (menos de 1%), devido à ausência de anticorpos maternos protetores transferidos ao feto. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na morfologia das lesões: vesículas agrupadas sobre base eritematosa que evoluem para úlceras dolorosas. Sintomas sistêmicos como febre e mialgia são comuns na primoinfecção. Além do tratamento antiviral, o manejo inclui analgesia e cuidados locais. A vigilância rigorosa no termo é essencial para definir a via de parto e proteger o recém-nascido de complicações graves como a encefalite herpética.

Perguntas Frequentes

Qual o tratamento para herpes primária na gestação?

O tratamento de escolha é o aciclovir por via oral (ex: 400mg 3x/dia por 7-10 dias). O objetivo é acelerar a cicatrização das lesões e reduzir o tempo de eliminação viral, diminuindo o risco de complicações maternas e transmissão para o feto. O uso de antivirais é seguro durante a gestação e deve ser iniciado o mais precocemente possível diante da suspeita clínica de infecção primária.

Quando a cesárea é obrigatória na herpes?

A cesariana está indicada se houver lesões herpéticas ativas (vesículas ou úlceras) ou sintomas prodrômicos (ardência, prurido, dor local) no momento do início do trabalho de parto ou da ruptura de membranas. Se não houver lesões visíveis no exame físico minucioso da vulva, vagina e colo uterino, o parto vaginal pode ser realizado com segurança, mesmo em pacientes com histórico de recorrências.

Existe profilaxia para recorrências no final da gestação?

Sim, em gestantes com história de herpes genital (seja primária ou recorrente), recomenda-se a profilaxia com aciclovir a partir da 36ª semana de gestação até o parto. Essa estratégia visa reduzir significativamente o risco de lesões ativas no momento do parto, diminuindo consequentemente a necessidade de indicações de cesariana por esta causa.

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