Herpes Genital na Gestação: Diagnóstico e Tratamento

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Uma gestante primigesta com 25 anos de idade e com idade gestacional de 20 semanas comparece à consulta no Centro de Saúde referindo uma lesão em vulva. Relata que, inicialmente, sentiu dor e coceira no local e que, pouco depois, apareceu a lesão, que ainda dói e arde. Nega episódios semelhantes anteriores. Ao exame ginecológico, apresenta lesão em fúrcula vaginal, hiperemiada, com vesículas agrupadas, algumas exulceradas.Considerando esse quadro clínico, assinale a opção que apresenta, respectivamente, a principal hipótese diagnóstica e a conduta correta a ser adotada.

Alternativas

  1. A) Sífilis (lesão secundária); deve ser solicitado VDRL e teste treponêmico com urgência para definir conduta.
  2. B) Sífilis (lesão primária); indicação de tratamento com penicilina benzatina para a mulher e o(s) parceiro(s).
  3. C) Herpes Genital; deve ser solicitada sorologia (IGG e IGM) e cultura de secreção da lesão e, após coleta, iniciar tratamento com aciclovir.
  4. D) Herpes Genital; indicação de tratamento com aciclovir e com 36 semanas de gestação deve ser prescrito aciclovir profilático, para diminuir o risco de lesões ativas no momento do parto.

Pérola Clínica

Herpes genital na gestação: Vesículas agrupadas + dor/coceira → Aciclovir tratamento + profilaxia com 36 semanas para parto.

Resumo-Chave

O quadro de vesículas agrupadas e exulceradas com dor e coceira, especialmente em primigesta sem histórico, é altamente sugestivo de herpes genital. O tratamento com aciclovir é seguro na gestação. A profilaxia com aciclovir a partir de 36 semanas é essencial para reduzir o risco de lesões ativas no parto e, consequentemente, a transmissão vertical.

Contexto Educacional

O herpes genital é uma infecção sexualmente transmissível causada principalmente pelo vírus Herpes Simplex tipo 2 (HSV-2), que se manifesta por lesões vesiculares e ulceradas dolorosas na região genital. Na gestação, a primoinfecção herpética é particularmente preocupante devido ao alto risco de transmissão vertical para o feto ou recém-nascido, que pode resultar em herpes neonatal, uma condição grave com alta morbimortalidade. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de vesículas agrupadas que evoluem para úlceras dolorosas, acompanhadas de dor, coceira e, por vezes, sintomas sistêmicos. A confirmação laboratorial pode ser feita por PCR ou cultura viral da lesão. O tratamento com aciclovir é seguro e eficaz em qualquer trimestre da gestação, visando aliviar os sintomas maternos e reduzir a frequência e gravidade das recorrências. A conduta mais importante no final da gestação é a profilaxia com aciclovir a partir de 36 semanas em gestantes com histórico de herpes genital, para suprimir as recorrências e diminuir o risco de lesões ativas no momento do parto. A presença de lesões ativas no trabalho de parto ou na ruptura das membranas é uma indicação para cesariana, a fim de evitar a transmissão vertical e as graves consequências do herpes neonatal.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas que diferenciam o herpes genital de outras lesões vulvares na gestação?

O herpes genital tipicamente se manifesta com vesículas agrupadas sobre uma base eritematosa, que evoluem para úlceras dolorosas e pruriginosas. A primoinfecção pode ser acompanhada de sintomas sistêmicos como febre e mialgia.

Qual a importância do tratamento com aciclovir na gestação para o herpes genital?

O tratamento com aciclovir é seguro e eficaz na gestação para aliviar os sintomas maternos e, principalmente, reduzir a frequência e a gravidade das recorrências, diminuindo o risco de lesões ativas no momento do parto e, consequentemente, a transmissão vertical para o recém-nascido.

Quando e por que a profilaxia com aciclovir é indicada no final da gestação para herpes genital?

A profilaxia com aciclovir é indicada a partir de 36 semanas de gestação para gestantes com histórico de herpes genital. O objetivo é suprimir as recorrências e evitar a presença de lesões ativas no canal de parto, o que permitiria o parto vaginal e reduziria o risco de herpes neonatal, uma condição grave.

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