UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2025
Primigesta, no decorrer da sétima semana de gestação, vem a consulta com queixa de surgimento de lesões eritemato-papulosas de um a três milímetros de diâmetro, que rapidamente evoluiram para vesículas sobre base eritematosa, muito dolorosas e de localização variável na região genital. Nega quadro semelhante anterior. Diante do exposto a conduta adequada é:
Primo-infecção por herpes na gestação = tratar imediatamente com aciclovir + programar terapia supressiva a partir de 36 semanas.
O manejo do herpes genital na gestação visa aliviar os sintomas maternos e, crucialmente, prevenir a transmissão vertical. A primo-infecção requer tratamento agudo, e a terapia supressiva no final da gestação reduz a chance de lesões ativas no parto, evitando a cesariana por essa indicação.
O herpes genital, causado pelo Herpes Simplex Virus (HSV), é uma infecção sexualmente transmissível comum que apresenta desafios únicos durante a gestação. A principal preocupação é o risco de transmissão vertical para o recém-nascido, que pode resultar em herpes neonatal, uma condição devastadora com alta morbidade e mortalidade. O risco é máximo quando a mãe adquire a primo-infecção no final da gestação. A primo-infecção herpética durante a gravidez deve ser tratada prontamente com terapia antiviral oral (aciclovir é o mais estudado e considerado seguro). O tratamento visa reduzir a duração e a gravidade dos sintomas maternos, diminuir a disseminação viral e o risco de complicações. Adiar o tratamento é inadequado, pois a infecção primária pode ser grave e está associada a maiores taxas de transmissão vertical. Para gestantes com histórico de herpes genital (primário ou recorrente), a conduta padrão é iniciar a terapia antiviral supressiva a partir da 36ª semana de gestação até o parto. Essa estratégia reduz significativamente a probabilidade de recorrência e de disseminação viral assintomática no momento do trabalho de parto. A presença de lesões herpéticas ativas ou sintomas prodrômicos no momento do parto é uma indicação formal para a realização de cesariana, a fim de minimizar o contato do neonato com o vírus no canal de parto.
Caracteriza-se por múltiplas vesículas dolorosas sobre base eritematosa, que podem evoluir para pústulas e úlceras. Frequentemente é acompanhada de sintomas sistêmicos como febre, mal-estar, mialgia e linfadenopatia inguinal dolorosa.
A terapia supressiva com antivirais (como aciclovir ou valaciclovir) iniciada na 36ª semana reduz significativamente a probabilidade de um surto de herpes no momento do parto. A ausência de lesões ativas permite o parto vaginal com maior segurança.
O herpes neonatal é uma infecção grave, com alta morbimortalidade. O risco de transmissão é maior em mães com primo-infecção adquirida no terceiro trimestre (30-50%) e menor em surtos recorrentes (<3%), devido à presença de anticorpos maternos transferidos ao feto.
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