Herpes Genital no Parto: Quando Indicar Cesariana?

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026

Enunciado

Gestante de 39 semanas deu entrada na emergência em franco trabalho de parto, ao toque vaginal colo dilatado 4 cm com presença de líquido claro com grumos, contrações uterinas ritmadas com 3 cm 10 minutos. Durante a inspeção vulvar nota-se lesões sugestivas de herpes, ao ser questionada a paciente nega ocorrência anterior das lesões. Qual a melhor conduta a seguir?

Alternativas

  1. A) Aguardar a evolução do trabalho de parto, sendo possível o parto vaginal.
  2. B) Observar o recém nato após o parto vaginal e se necessário fazer uso de aciclovir venoso no recém nato.
  3. C) Encaminhar a paciente para cesariana de urgência.
  4. D) Administrar penicilina na parturiente.
  5. E) Aguardar exames laboratoriais para confirmar a suspeita diagnóstica.

Pérola Clínica

Lesão herpética ativa no trabalho de parto → Cesariana obrigatória (risco ↑ de transmissão vertical).

Resumo-Chave

A presença de lesões herpéticas ativas no momento do parto, especialmente em casos de provável primo-infecção, exige cesariana imediata para prevenir complicações neonatais graves como a encefalite.

Contexto Educacional

O manejo do herpes simples na gestação foca na prevenção da transmissão vertical. A infecção neonatal pelo HSV é uma condição de alta morbimortalidade. A principal via de infecção é o contato direto com o vírus no canal de parto. Portanto, a inspeção vulvar cuidadosa é obrigatória em toda gestante admitida em trabalho de parto. Se lesões sugestivas (vesículas, úlceras ou crostas) forem identificadas, a cesariana deve ser realizada preferencialmente antes da rotura das membranas ou o mais precocemente possível após a rotura. O tratamento supressivo com antivirais no final da gestação é uma estratégia eficaz para reduzir a necessidade de cesarianas por recorrência, mas não altera a conduta cirúrgica se a lesão estiver presente no momento do parto.

Perguntas Frequentes

Por que a cesariana é indicada em lesões ativas?

A cesariana é indicada para evitar o contato direto do feto com as secreções e lesões infectadas pelo vírus Herpes Simples (HSV) no canal de parto. O risco de transmissão vertical em casos de primo-infecção materna no momento do parto é de aproximadamente 50%, o que pode levar a quadros graves de herpes neonatal, incluindo meningoencefalite e sepse viral. Mesmo em infecções recorrentes, onde o risco é menor (cerca de 1-3%), a conduta padrão ouro diante de lesões visíveis ou pródromos é a via alta para garantir a segurança do recém-nascido.

Qual a diferença de risco entre primo-infecção e recorrência?

Na primo-infecção, a carga viral é significativamente maior e a mãe ainda não produziu anticorpos protetores (IgG) que possam ser transferidos para o feto via placenta. Isso resulta em uma taxa de transmissão vertical muito elevada durante o parto vaginal. Já na infecção recorrente, a presença de anticorpos maternos prévios e uma menor excreção viral reduzem drasticamente o risco de infecção neonatal, embora a cesariana ainda seja recomendada se houver lesões ativas no momento do trabalho de parto.

O uso de aciclovir substitui a necessidade de cesariana?

Não. Embora o aciclovir seja utilizado para supressão viral a partir da 36ª semana em gestantes com histórico de herpes para reduzir a chance de recorrência no termo, ele não autoriza o parto vaginal se houver lesões ativas no momento da admissão. O aciclovir trata a infecção materna e reduz a duração dos sintomas, mas não elimina o risco de contato neonatal com o vírus presente nas lesões vulvares ou cervicais durante a passagem pelo canal de parto.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo