HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Gestante de 24 anos, 30 semanas, procura atendimento por dor intensa e feridas em região genital há cinco dias, que no momento dificulta a sua deambulação. Há cerca de um ano, teve quadro muito semelhante, mas não procurou atendimento. Ao exame: múltiplas úlceras rasas, de fundo avermelhado, bordas irregulares, algumas já cicatrizando. Linfonodos inguinais discretamente aumentados e dolorosos. Perguntada, a paciente refere que o quadro iniciou com lesões bolhosas. Qual a conduta correta para esse caso?
Vesículas agrupadas → Úlceras rasas e dolorosas + Recorrência = Herpes Genital.
O herpes genital recorrente na gestação deve ser tratado com aciclovir oral para reduzir sintomas e excreção viral, sempre rastreando outras ISTs como a sífilis.
O manejo de úlceras genitais na gestação exige rapidez para evitar complicações materno-fetais. O herpes simples é a causa mais comum de úlceras dolorosas e recorrentes. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história de vesículas e na dor intensa, mas a confirmação laboratorial e o rastreio de coinfecções (HIV, Sífilis, Hepatites) são fundamentais na rotina pré-natal. A via de parto é decidida no momento da admissão: se houver lesões herpéticas ativas ou pródromos (queimação, dor), indica-se a cesariana para minimizar o risco de transmissão neonatal. Caso não haja lesões no momento do parto, o parto vaginal é seguro. O uso de aciclovir oral é a base do tratamento para episódios agudos e para a supressão viral no final da gravidez, visando reduzir a morbidade materna e a necessidade de intervenções cirúrgicas no parto.
O risco de transmissão vertical do vírus herpes simples (HSV) durante a gestação ocorre predominantemente durante o parto, através do contato direto do feto com secreções vaginais ou lesões herpéticas ativas no canal de parto. O risco é drasticamente maior (cerca de 30% a 50%) em mulheres que adquirem a infecção primária (primeiro episódio) no terceiro trimestre, pois não houve tempo para a transferência transplacentária de anticorpos protetores. Em casos de herpes recorrente, como o da paciente em questão, o risco de transmissão neonatal é muito menor (inferior a 3%), devido à imunidade materna prévia. No entanto, a infecção neonatal pode ser devastadora, levando a quadros de encefalite, doença disseminada com falência multiorgânica ou sequelas neurológicas e oculares permanentes.
O aciclovir é um análogo nucleosídeo amplamente utilizado e considerado seguro durante todos os trimestres da gestação, sendo classificado como categoria B pelo FDA. Seu uso é indicado para tratar episódios agudos de herpes genital (tanto primoinfecção quanto recorrências), visando acelerar a cicatrização das lesões, reduzir a dor e diminuir o período de excreção viral. Além do tratamento sintomático, uma estratégia fundamental na prática obstétrica é a terapia supressiva com aciclovir ou valaciclovir a partir da 36ª semana de idade gestacional para todas as mulheres com história de herpes genital recorrente. Essa medida reduz significativamente a probabilidade de recorrências clínicas e de excreção viral assintomática no momento do parto, diminuindo consequentemente a taxa de indicações de parto cesáreo.
O diagnóstico diferencial de úlceras genitais na gestação é amplo. O herpes genital caracteriza-se por vesículas agrupadas que se rompem formando úlceras rasas, múltiplas, dolorosas e de fundo eritematoso, frequentemente recorrentes. A sífilis primária (cancro duro) apresenta-se tipicamente como uma úlcera única, indolor, de bordas endurecidas e fundo limpo. O cancro mole (Haemophilus ducreyi) manifesta-se com úlceras profundas, purulentas e extremamente dolorosas, geralmente com linfadenopatia supurativa. Devido à gravidade da sífilis congênita, a recomendação atual é que toda gestante com úlcera genital seja testada para sífilis (testes rápidos ou VDRL) e outras ISTs, mesmo que o quadro clínico seja altamente sugestivo de herpes, garantindo que coinfecções não passem despercebidas.
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