PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Você está de plantão em uma maternidade do interior do Paraná e atende uma gestante de risco habitual, com 38 semanas de gestação, em trabalho de parto, com 5cm de dilatação e bolsa íntegra, feto único, apresentação cefálica com BCF 140bpm e boa movimentação fetal. Ao examinar a paciente você identifica a presença de úlceras genitais compatíveis com Herpes Vírus. A paciente relata que é a primeira vez que tem o episódio. Segundo o Manual para ISTs do Ministério da Saúde, qual é a recomendação para essa paciente?
Herpes genital primário com lesões ativas no trabalho de parto → Cesárea para prevenir transmissão vertical.
O primeiro episódio de herpes genital com lesões ativas no momento do trabalho de parto é uma indicação absoluta de cesariana. Isso visa evitar a transmissão vertical do vírus para o recém-nascido, que pode causar herpes neonatal grave.
O herpes genital na gestação é uma preocupação significativa devido ao risco de transmissão vertical para o recém-nascido, que pode resultar em herpes neonatal, uma condição com alta morbidade e mortalidade. A infecção primária materna durante a gestação, especialmente no terceiro trimestre, confere o maior risco de transmissão, pois a mãe não desenvolveu anticorpos protetores que possam ser transferidos ao feto. O diagnóstico é clínico, mas pode ser confirmado por cultura viral ou PCR das lesões. A fisiopatologia da transmissão ocorre principalmente quando o feto entra em contato com as lesões ativas no canal de parto. Por isso, a presença de lesões herpéticas ativas (úlceras, vesículas) ou sintomas prodrômicos (dor, prurido, parestesia) no início do trabalho de parto ou após a ruptura das membranas é um fator crítico. A suspeita deve ser alta em gestantes com histórico de herpes ou que apresentem lesões genitais durante a avaliação do trabalho de parto. A conduta para prevenir o herpes neonatal é a cesariana eletiva em casos de lesões ativas ou pródromos no trabalho de parto, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde. O tratamento antiviral com aciclovir pode ser utilizado profilaticamente a partir de 36 semanas em gestantes com histórico de herpes para reduzir a chance de lesões no parto, mas não substitui a cesariana se as lesões estiverem presentes. O prognóstico do herpes neonatal é reservado, ressaltando a importância da prevenção.
O herpes neonatal é uma condição grave que pode causar doença disseminada, encefalite ou lesões cutâneas, oculares e orais, com alta morbidade e mortalidade. A transmissão ocorre principalmente durante o parto vaginal.
A cesariana é indicada quando há lesões herpéticas ativas (primárias ou recorrentes) no trato genital ou sintomas prodrômicos no início do trabalho de parto ou ruptura de membranas. O primeiro episódio primário tem maior risco de transmissão.
O aciclovir pode ser usado profilaticamente no terceiro trimestre para reduzir a frequência de recorrências e a necessidade de cesariana. No entanto, se houver lesões ativas no trabalho de parto, a cesariana ainda é a conduta preferencial.
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