SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2022
Paciente com 21 anos de idade, procura assistência médica referindo o surgimento de feridas pequenas e dolorosas na vulva, há 3 dias, que não a deixam dormir. Informa ainda que menstruou há 15 dias e que usa contraceptivo hormonal oral. Ao exame físico: evidenciam-se a presença de pequenas úlceras, rasas, na face interna dos pequenos lábios à esquerda, dolorosas à palpação, agrupadas sob base eritematosa. Qual o tratamento a ser iniciado?
Úlceras genitais pequenas, dolorosas, agrupadas em base eritematosa = Herpes Genital → Aciclovir.
O quadro clínico de úlceras genitais pequenas, dolorosas e agrupadas sobre uma base eritematosa é altamente sugestivo de infecção pelo vírus herpes simplex (HSV), ou herpes genital. O tratamento antiviral com aciclovir é a conduta de escolha para reduzir a duração e a gravidade dos sintomas.
O herpes genital é uma infecção sexualmente transmissível (IST) comum, causada principalmente pelo vírus herpes simplex tipo 2 (HSV-2) e, em menor grau, pelo HSV-1. Caracteriza-se por episódios recorrentes de lesões vesiculares e ulcerativas na região genital, sendo uma das principais causas de úlceras genitais dolorosas. É fundamental para residentes e estudantes de medicina reconhecer e manejar essa condição devido ao seu impacto na qualidade de vida e risco de transmissão. A fisiopatologia envolve a infecção das células epiteliais e nervosas, com o vírus estabelecendo latência nos gânglios sensoriais. As lesões típicas são vesículas agrupadas sobre uma base eritematosa que evoluem para úlceras rasas e dolorosas. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na morfologia e distribuição das lesões, podendo ser confirmado por cultura viral ou PCR. A dor intensa e o agrupamento das lesões são características marcantes que ajudam a diferenciá-lo de outras ISTs ulcerativas. O tratamento do herpes genital é feito com antivirais como aciclovir, valaciclovir ou fanciclovir, que não curam a infecção, mas reduzem a duração e a gravidade dos surtos, além de diminuir a frequência das recorrências e o risco de transmissão. Para o primeiro episódio, o tratamento é mais prolongado. Em casos de recorrências frequentes, a terapia supressiva diária pode ser indicada. Aconselhamento sobre prevenção e transmissão é parte integrante do manejo.
O primeiro episódio de herpes genital é geralmente mais grave, com múltiplas úlceras dolorosas, vesículas, pústulas e crostas na região genital ou perianal. Pode haver febre, mal-estar, mialgia e linfadenopatia inguinal dolorosa. As lesões são tipicamente pequenas, rasas e agrupadas em uma base eritematosa.
Para o primeiro episódio de herpes genital, o tratamento com aciclovir oral é geralmente de 400 mg, 3 vezes ao dia, por 7 a 10 dias, ou 200 mg, 5 vezes ao dia, pelo mesmo período. Para episódios recorrentes, a dose e duração são menores, geralmente 400 mg, 3 vezes ao dia, por 5 dias, ou terapia supressiva diária para casos frequentes.
A diferenciação é crucial. O herpes genital causa úlceras pequenas, múltiplas, agrupadas, dolorosas e com base eritematosa. A sífilis (cancro duro) causa uma única úlcera indolor, de bordas elevadas e fundo limpo. O cancroide (Haemophilus ducreyi) causa úlceras dolorosas, com bordas irregulares e base purulenta, frequentemente associado a linfadenopatia supurativa.
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