Herpes Genital Ativo na Gestação: Conduta no Parto

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025

Enunciado

Primigesta, 41 semanas e 6 dias de idade gestacional, foi encaminhada para a maternidade para avaliar indução do parto. Exame obstétrico sem alterações. Na inspeção genital, foram identificadas lesões vesiculares dolorosas sugestivas de herpes genital. Ao toque vaginal, colo grosso, posterior, impérvio. Qual é a conduta nesse caso?

Alternativas

  1. A) Preparação do colo uterino com prostaglandinas, devido a Bishop desfavorável.
  2. B) Indução do parto com ocitocina.
  3. C) Aguardar parto vaginal espontâneo.
  4. D) Não é possível realizar a indução do parto nesse momento.

Pérola Clínica

Herpes genital ativo (lesões vesiculares) no termo = contraindicação de parto vaginal → cesariana.

Resumo-Chave

A presença de lesões ativas de herpes genital no momento do parto é uma contraindicação absoluta para o parto vaginal, devido ao alto risco de transmissão vertical do vírus para o recém-nascido, que pode resultar em herpes neonatal grave. Nesses casos, a cesariana é a via de parto indicada, independentemente das condições do colo uterino ou da idade gestacional.

Contexto Educacional

O herpes genital é uma infecção sexualmente transmissível causada pelo vírus herpes simplex (HSV), que pode ter implicações significativas durante a gestação e o parto. A principal preocupação é a transmissão vertical do vírus para o recém-nascido, que pode resultar em herpes neonatal, uma condição grave com alta taxa de morbimortalidade, incluindo encefalite, doença disseminada e sequelas neurológicas permanentes. No cenário de uma gestante a termo com lesões vesiculares ativas de herpes genital, a conduta é clara e visa minimizar o risco de transmissão. O contato do feto com as lesões no canal de parto é o principal mecanismo de infecção neonatal. Portanto, a presença de lesões ativas (vesículas, úlceras, crostas) na genitália, vagina, colo uterino ou região perianal no momento do trabalho de parto ou da ruptura das membranas é uma contraindicação absoluta para o parto vaginal. Nesses casos, a cesariana eletiva é a via de parto indicada para evitar a exposição do feto ao vírus. Mesmo que o colo uterino esteja desfavorável para a indução do parto, como descrito na questão (colo grosso, posterior, impérvio), a presença de lesões ativas de herpes genital sobrepõe qualquer outra consideração sobre a via de parto. A indução do parto não seria uma opção segura, pois exporia o feto ao risco de infecção durante a passagem pelo canal de parto. O residente deve estar ciente dessa contraindicação absoluta e da importância da cesariana para proteger o recém-nascido.

Perguntas Frequentes

Qual o risco de herpes neonatal se o parto for vaginal com lesões ativas?

O risco de transmissão vertical do herpes simplex vírus (HSV) para o recém-nascido durante o parto vaginal com lesões ativas é significativo, variando de 30% a 50%. O herpes neonatal é uma infecção grave com alta morbimortalidade, podendo causar doença disseminada, encefalite ou lesões cutâneas, oculares e orais.

Quando a cesariana é indicada para gestantes com herpes genital?

A cesariana é indicada para gestantes com herpes genital quando há lesões herpéticas ativas (vesículas, úlceras, crostas) na genitália, vagina, colo uterino ou região perianal no início do trabalho de parto ou no momento da ruptura das membranas. Também é considerada se houver sintomas prodrômicos como dor ou prurido.

É possível realizar parto vaginal se a gestante teve herpes genital no passado?

Sim, se a gestante teve herpes genital no passado, mas não apresenta lesões ativas ou sintomas prodrômicos no momento do parto, o parto vaginal é seguro e pode ser realizado. A profilaxia com antiviral nas últimas semanas de gestação é recomendada para reduzir o risco de recorrência e a necessidade de cesariana.

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