Herpes Genital Ativa no Parto: Indicação de Cesárea

Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2021

Enunciado

Uma gestante em trabalho de parto, G2 P1 normal, idade gestacional de 38 semanas, é admitida na maternidade com 5 cm de dilatação e contrações regulares, bolsa íntegra. Ao realizar o toque, o obstetra observa, na vulva, lesão ativa por herpes, fase vesicular. A conduta nesse caso é:

Alternativas

  1. A) indicar cesárea.
  2. B) realizar parto normal, evitando episiotomia no local da lesão.
  3. C) realizar parto normal, com analgesia mais precoce pelo efeito somatório de dor que a lesão herpética causa na parturiente.
  4. D) realizar parto normal, com o cuidado de não romper a bolsa precocemente.

Pérola Clínica

Herpes genital ativa (lesão vesicular) no trabalho de parto → cesárea para evitar transmissão vertical.

Resumo-Chave

A presença de lesões herpéticas ativas (vesículas ou úlceras) na vulva ou trato genital inferior durante o trabalho de parto é uma contraindicação absoluta para o parto vaginal. O risco de transmissão vertical do vírus herpes simplex para o neonato é alto e pode causar herpes neonatal grave, justificando a indicação de cesárea.

Contexto Educacional

O herpes genital é uma infecção sexualmente transmissível causada pelo vírus herpes simplex (HSV), que pode ter implicações significativas durante a gravidez e o parto. A principal preocupação obstétrica é a transmissão vertical do vírus para o neonato, que pode ocorrer intraparto, transplacentária (rara) ou pós-parto. A infecção neonatal por HSV é uma condição grave, com alta morbidade e mortalidade, podendo causar doença disseminada, encefalite e lesões cutâneas e oculares. A presença de lesões herpéticas ativas (vesículas, úlceras ou crostas) na vulva, vagina, colo do útero ou períneo no momento do trabalho de parto é a principal indicação para a realização de parto cesárea. Esta conduta visa minimizar o contato do neonato com as lesões virais durante a passagem pelo canal de parto, reduzindo drasticamente o risco de transmissão vertical. Se as lesões estiverem cicatrizadas ou não houver lesões ativas, o parto vaginal pode ser considerado. A profilaxia antiviral (geralmente com aciclovir, valaciclovir ou fanciclovir) é recomendada para gestantes com histórico de herpes genital recorrente a partir da 36ª semana de gestação. O objetivo é suprimir a replicação viral e reduzir a ocorrência de lesões ativas no termo, diminuindo assim a necessidade de cesárea. Para residentes, é fundamental reconhecer a importância da anamnese detalhada sobre histórico de herpes e a inspeção cuidadosa da região genital no trabalho de parto para tomar a decisão mais segura para a mãe e o bebê.

Perguntas Frequentes

Por que a lesão herpética ativa na vulva contraindica o parto vaginal?

A lesão herpética ativa (vesículas ou úlceras) na vulva ou trato genital inferior aumenta significativamente o risco de transmissão vertical do vírus herpes simplex para o neonato durante a passagem pelo canal de parto, podendo causar herpes neonatal grave.

Qual a principal complicação do herpes neonatal?

O herpes neonatal é uma infecção grave que pode levar a doença disseminada, encefalite, lesões cutâneas e oculares, com alta morbidade e mortalidade se não tratada precocemente.

Quando a profilaxia antiviral é indicada na gestação para herpes genital?

A profilaxia antiviral (ex: aciclovir) é geralmente indicada a partir da 36ª semana de gestação em mulheres com histórico de herpes genital recorrente para reduzir a chance de lesões ativas no momento do parto e, consequentemente, a necessidade de cesárea.

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