ENARE/ENAMED — Prova 2025
Uma mulher de 23 anos, sexualmente ativa, utilizando contracepção com pílula hormonal combinada, refere surgimento de lesões ulceradas, dolorosas em face interna de grande lábio esquerdo, há 3 dias. Precedendo o surgimento das lesões, refere que a região acometida apresentou um aumento de sensibilidade. Além disso, relata ter apresentado quadro de faringite há 1 semana. Ao exame, identifica-se a vulva trófica, sem distopias aparentes, apresentando 5 lesões ulceradas, com menos de 0,5 cm cada, coalescendo, dolorosas ao toque. Há presença de micropolilinfadenopatia inguinal bilateral, indolor. Considerando a principal hipótese diagnóstica, a opção adequada de tratamento para a paciente é:
Úlceras genitais dolorosas + faringite prévia + linfadenopatia indolor → Herpes Genital, tratar com Aciclovir.
O quadro clínico de lesões ulceradas dolorosas, precedidas por aumento de sensibilidade e associadas a linfadenopatia inguinal indolor, é altamente sugestivo de herpes genital. A história de faringite prévia pode indicar uma infecção viral recente, que pode ter reativado o HSV ou ser uma infecção primária. O tratamento com aciclovir é a escolha para reduzir a duração e gravidade dos sintomas.
O herpes genital é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada principalmente pelo vírus Herpes Simplex tipo 2 (HSV-2), embora o HSV-1 também possa ser responsável. É uma condição comum, com alta prevalência global, e sua importância clínica reside não apenas no desconforto físico, mas também no impacto psicossocial e no risco de transmissão. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são fundamentais para o manejo dos pacientes e para a saúde pública. O diagnóstico do herpes genital é primariamente clínico, baseado na história e no exame físico. A apresentação clássica envolve lesões vesiculares agrupadas que evoluem para úlceras dolorosas, muitas vezes precedidas por sintomas prodrômicos como prurido, ardor ou parestesia local. A linfadenopatia inguinal bilateral e indolor é um achado comum. A história de faringite pode sugerir uma infecção viral recente, que pode ter desencadeado a reativação do HSV. A confirmação laboratorial pode ser feita por PCR ou cultura viral das lesões, mas o tratamento geralmente é iniciado com base na suspeita clínica. O tratamento para o herpes genital visa aliviar os sintomas, acelerar a cicatrização das lesões e reduzir a frequência e gravidade das recorrências. Antivirais como aciclovir, valaciclovir e fanciclovir são as opções de escolha. Para um primeiro episódio, o aciclovir 400 mg, três vezes ao dia, por 7 a 10 dias, é uma conduta padrão. É crucial orientar o paciente sobre a natureza crônica da infecção, a possibilidade de recorrências e as medidas para prevenir a transmissão, incluindo o uso de preservativos e a abstenção de relações sexuais durante os surtos.
O herpes genital tipicamente se manifesta com lesões vesiculares agrupadas sobre uma base eritematosa, que rapidamente evoluem para úlceras dolorosas. Pode haver prurido, ardor, disúria e linfadenopatia inguinal, que geralmente é bilateral e indolor.
O primeiro episódio de herpes genital costuma ser mais grave e prolongado, exigindo um curso mais longo de antiviral (7-10 dias). Recorrências são geralmente mais leves e curtas, podendo ser tratadas com um curso mais curto (3-5 dias) ou terapia supressiva em casos frequentes.
Os principais diagnósticos diferenciais incluem sífilis (cancro duro, indolor), cancro mole (úlceras dolorosas com linfadenopatia dolorosa e supurativa), linfogranuloma venéreo (úlcera transitória seguida de linfadenopatia inflamatória) e granuloma inguinal (lesões vegetantes indolores).
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