HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2021
Um paciente de 53 anos de idade foi submetido à herniorrafia inguinal direita há oito anos. Retornou ao consultório médico, referindo abaulamento em região inguinal direita, que surgiu há seis meses, mas que vem aumentando progressivamente.Com base nessa situação hipotética, julgue o item.A cirurgia laparoscópica apresenta taxa de recidiva significativamente menor que a da cirurgia aberta com utilização de tela.
Recidiva de hérnia inguinal → Taxas de sucesso são similares entre laparoscopia e técnica aberta com tela (Lichtenstein).
Não há evidência de que a laparoscopia reduza significativamente a taxa de recidiva em comparação à técnica aberta com tela; sua vantagem reside na recuperação funcional e menor dor crônica.
O tratamento das hérnias inguinais sofreu uma revolução com a introdução das técnicas sem tensão (tension-free) utilizando próteses (telas). A técnica de Lichtenstein consolidou-se como o padrão de referência para a cirurgia aberta. Com o advento da laparoscopia, surgiram as técnicas Transabdominal Pré-Peritoneal (TAPP) e Totalmente Extraperitoneal (TEP). A escolha entre aberta e laparoscópica deve ser individualizada. A laparoscopia é particularmente vantajosa em hérnias recidivadas (quando a primeira cirurgia foi aberta) e hérnias bilaterais. No entanto, a curva de aprendizado para a laparoscopia é mais longa, e a falha em cobrir adequadamente todo o orifício miopectíneo de Fruchaud pode levar à recidiva. Em termos de evidência científica, a eficácia na prevenção de recidiva é equivalente entre as duas abordagens, invalidando a ideia de superioridade estatística da laparoscopia neste desfecho específico.
Estudos multicêntricos e metanálises demonstram que as taxas de recidiva para herniorrafia inguinal são comparáveis entre a técnica aberta 'tension-free' com tela (Lichtenstein) e as técnicas laparoscópicas (TAPP ou TEP), desde que realizadas por cirurgiões experientes. A recidiva está mais ligada a fatores técnicos (tamanho insuficiente da tela, fixação inadequada) e fatores do paciente (tabagismo, obesidade, desnutrição) do que à via de acesso em si. Portanto, a afirmação de que a laparoscopia tem taxa de recidiva significativamente menor é incorreta.
Embora a taxa de recidiva seja similar, a laparoscopia oferece vantagens significativas no período pós-operatório. Pacientes submetidos à via laparoscópica geralmente apresentam menos dor aguda e crônica, retorno mais rápido às atividades laborais e físicas, e menor incidência de infecção de ferida operatória e hematomas superficiais. Além disso, a laparoscopia é a via de escolha para hérnias bilaterais e para o tratamento de hérnias recidivadas após cirurgia aberta prévia, pois permite abordar o espaço pré-peritoneal através de tecidos não manipulados.
A técnica de Lichtenstein continua sendo o 'padrão-ouro' para muitos cirurgiões devido à sua simplicidade, baixo custo e excelentes resultados a longo prazo. Ela é preferível em pacientes que possuem contraindicações à anestesia geral (necessária para laparoscopia), pacientes com múltiplas cirurgias abdominais prévias (que dificultam o acesso laparoscópico) ou em serviços onde a tecnologia de vídeo e telas específicas não estão disponíveis. Por ser realizada sob anestesia local ou regional, é uma opção segura para pacientes idosos ou com comorbidades cardiopulmonares.
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