UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020
As hérnias em geral são doenças prevalentes na população adulta e motivo frequente de atendimento em ambulatórios de cirurgia geral. A respeito desse assunto, julgue o item que se segue. Prótese é comumente utilizada tanto na técnica de Lichtenstein quanto no tratamento de hérnia inguinal por videolaparoscopia.
Hernioplastia inguinal moderna (Lichtenstein ou Laparo) = Uso mandatório de prótese (tela).
O uso de telas (próteses) reduziu drasticamente as taxas de recidiva em comparação com técnicas de sutura primária, consolidando o conceito de reparo sem tensão.
A evolução do tratamento das hérnias inguinais é marcada pela transição dos reparos com tensão para os reparos baseados em próteses. A técnica de Lichtenstein, descrita na década de 1980, revolucionou a cirurgia ao fixar uma tela de polipropileno sobre a fáscia transversalis, reduzindo a dor pós-operatória e a recidiva para menos de 1-4%. Com o advento da videolaparoscopia, as técnicas TAPP e TEP aplicaram o mesmo princípio de reforço protético, mas por uma abordagem posterior. Na laparoscopia, a tela é essencial para cobrir o orifício miopectíneo de Fruchaud, protegendo contra hérnias indiretas, diretas e femorais simultaneamente. Atualmente, as diretrizes internacionais (International Hernia Collaboration) reforçam que o uso de telas é o padrão de cuidado para quase todos os pacientes adultos com hérnia inguinal, independentemente da via de acesso escolhida.
A técnica de Lichtenstein é considerada o padrão-ouro para o reparo de hérnias inguinais por via aberta devido à sua simplicidade, baixas taxas de complicações e, principalmente, baixíssima taxa de recidiva. Ela introduziu o conceito de 'tension-free repair' (reparo sem tensão), utilizando uma tela de polipropileno para reforçar o assoalho do canal inguinal sem a necessidade de aproximar tecidos sob tensão, o que era a principal causa de falha nas técnicas puramente teciduais.
A técnica TAPP (Transabdominal Pré-Peritoneal) acessa o espaço pré-peritoneal através da cavidade peritoneal, exigindo a abertura e fechamento do peritônio. Já a técnica TEP (Totalmente Extraperitoneal) acessa o espaço pré-peritoneal sem entrar na cavidade abdominal. Ambas utilizam obrigatoriamente próteses (telas) de grandes dimensões para cobrir todo o orifício miopectíneo de Fruchaud, sendo indicadas especialmente para hérnias bilaterais e recidivadas.
A principal contraindicação ao uso de telas é a presença de infecção ativa no sítio cirúrgico ou em casos de cirurgias de emergência com contaminação grosseira (como estrangulamento herniário com necrose intestinal e perfuração). Nestes cenários, o risco de infecção da prótese é elevado, podendo-se optar por técnicas teciduais clássicas (como Shouldice), embora o uso de telas biológicas ou macroporosas venha sendo discutido em casos selecionados.
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