UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020
"Alice vem para sua primeira consulta com o Dr. Guilherme que faz todas as orientações de como será o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da pequena. Mariana está com dúvida sobre aleitamento materno, quando iniciar alimentação, já que só terá 04 (quatro) meses de licença e também questiona sobre a hérnia umbilical da pequena Alice. Dr. Guilherme já a orienta, ao sair da consulta, a passar na sala de vacina para orientações". Com relação à hérnia umbilical, qual a conduta correta?
Hérnia umbilical na infância → Conduta expectante até 2-4 anos (maioria fecha espontaneamente).
A maioria das hérnias umbilicais em lactentes fecha espontaneamente até os 2 anos de idade; intervenções precoces são reservadas para complicações raras.
A hérnia umbilical resulta de um fechamento incompleto do anel umbilical após a queda do cordão. É extremamente comum em recém-nascidos, especialmente em prematuros e crianças negras. A história natural da condição é o fechamento espontâneo à medida que a musculatura abdominal se desenvolve e o diâmetro do anel diminui. Na prática clínica, a conduta é expectante. A maioria dos protocolos sugere aguardar até os 2 anos para reavaliação de volume e até os 4-5 anos para indicação cirúrgica definitiva. É fundamental tranquilizar a família e desestimular práticas populares que podem prejudicar a integridade da pele do lactente.
A indicação cirúrgica geralmente ocorre se a hérnia persistir após os 4 a 6 anos de idade, se for muito volumosa (anel > 2cm) após os 2 anos, ou se houver complicações como encarceramento ou estrangulamento (raras). Algumas diretrizes aceitam a observação até os 4 anos, pois o fechamento espontâneo ainda é possível. Defeitos associados a derivações peritoneais ou ascite também podem exigir correção precoce.
Não. O uso de faixas, esparadrapos ou moedas sobre o umbigo não acelera o fechamento do anel umbilical e é contraindicado. Essas práticas podem causar dermatites de contato, infecções cutâneas e até necrose, além de não terem evidência científica de benefício, já que o fechamento depende da fusão aponeurótica natural.
Embora o encarceramento seja raro na hérnia umbilical infantil (ao contrário da inguinal), os pais devem ser orientados a procurar o pronto-socorro se a hérnia se tornar tensa, dolorosa, hiperemiada ou se a criança apresentar vômitos e distensão abdominal, sugerindo obstrução intestinal. Na ausência desses sinais, a conduta permanece estritamente expectante.
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