Hérnia Umbilical Estrangulada: Diagnóstico e Conduta Cirúrgica

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 57 anos chega ao pronto-socorro com dor abdominal mesogástrica tipo cólica, que se tornou constante nas últimas seis horas. Ao exame físico, mostra-se febril e taquicárdico. O exame do abdômen mostra distensão e presença de hérnia umbilical encarcerada. O tratamento nesse caso deve ser:

Alternativas

  1. A) descompressão por cateter nasogástrico
  2. B) analgesia e redução manual da hérnia
  3. C) ultrassonografia abdominal
  4. D) exploração cirúrgica

Pérola Clínica

Hérnia encarcerada + febre, taquicardia, dor constante = Estrangulamento → Exploração cirúrgica de urgência.

Resumo-Chave

A presença de febre, taquicardia e dor abdominal que se tornou constante em um paciente com hérnia umbilical encarcerada são sinais de alarme que sugerem estrangulamento herniário. O estrangulamento implica comprometimento vascular do conteúdo herniário, levando à isquemia e necrose intestinal, sendo uma emergência cirúrgica que exige exploração imediata.

Contexto Educacional

Hérnias da parede abdominal são comuns, e o encarceramento ocorre quando o conteúdo herniário fica preso no saco herniário, não sendo mais redutível. O estrangulamento é a complicação mais grave, caracterizada pelo comprometimento do suprimento sanguíneo do conteúdo herniário, levando à isquemia e necrose. A hérnia umbilical é uma das hérnias mais comuns, especialmente em adultos com fatores de risco como obesidade, ascite e múltiplas gestações. A distinção entre hérnia encarcerada e estrangulada é crucial, pois a última é uma emergência cirúrgica com alta morbimortalidade. O diagnóstico de estrangulamento é primariamente clínico, baseado na tríade de dor intensa e constante, sinais de toxicidade sistêmica (febre, taquicardia, leucocitose) e alterações locais na hérnia (tensão, dor à palpação, eritema). A dor abdominal tipo cólica que se torna constante é um forte indicativo de progressão para estrangulamento. A distensão abdominal e a ausência de eliminação de gases e fezes podem indicar obstrução intestinal associada. O tratamento de uma hérnia estrangulada é a exploração cirúrgica de urgência. Durante a cirurgia, o conteúdo herniário é inspecionado para avaliar a viabilidade. Segmentos intestinais necróticos devem ser ressecados. A redução manual é estritamente contraindicada em casos de estrangulamento. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção cirúrgica, sendo que atrasos aumentam significativamente o risco de complicações como perfuração intestinal, sepse e morte.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas que indicam estrangulamento em uma hérnia encarcerada?

Os sinais de estrangulamento incluem dor intensa e constante na região da hérnia, que não cede, associada a sintomas sistêmicos como febre, taquicardia, leucocitose e, por vezes, sinais de sepse. Localmente, pode haver eritema, edema e sensibilidade exacerbada na pele sobre a hérnia, além de distensão abdominal e vômitos se houver obstrução intestinal.

Por que a redução manual é contraindicada em casos de hérnia estrangulada?

A redução manual é contraindicada em hérnias estranguladas porque há risco de empurrar um segmento intestinal já isquêmico ou necrótico de volta para a cavidade abdominal. Isso pode levar à perfuração intestinal, peritonite e sepse generalizada, sem que o cirurgião possa avaliar a viabilidade do tecido herniado.

Qual é a conduta inicial para um paciente com suspeita de hérnia estrangulada?

A conduta inicial para suspeita de hérnia estrangulada é a estabilização hemodinâmica do paciente, analgesia, hidratação venosa e antibioticoterapia de amplo espectro. No entanto, o tratamento definitivo é a exploração cirúrgica de urgência para avaliar a viabilidade do conteúdo herniário, ressecar segmentos necróticos e reparar o defeito herniário.

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