UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Mulher de 80 anos relata dor, distensão abdominal, vômitos e parada de eliminação de gases e fezes há 24 horas. Sua acompanhante informa que a paciente apresentou febre, falta de apetite, vermelhidão e endurecimento na região umbilical. Ao exame, a paciente apresenta tumoração umbilical de cerca de 8cm, dolorosa, irredutível, com sinais flogísticos intensos. Seu hemograma demostra leucocitose com desvio para a esquerda, e sua tomografia computadorizada (TC) de abdômen revela níveis hidroaéreos de delgado e pobreza de gás no cólon. A melhor conduta nesse caso é:
Hérnia irredutível + sinais flogísticos + obstrução → Emergência cirúrgica (estrangulamento provável).
Hérnias umbilicais com sinais de estrangulamento (dor, flogose, obstrução) exigem intervenção cirúrgica imediata. O uso de antibióticos é adjuvante à cirurgia.
O caso descreve uma paciente idosa com uma hérnia umbilical complicada, apresentando sinais claros de estrangulamento e obstrução intestinal de alça delgada (níveis hidroaéreos na TC e clínica de vômitos/distensão). A presença de sinais flogísticos e leucocitose indica que há sofrimento tecidual ou necrose. Em termos de prova, o gabarito 'Antibioticoterapia' pode refletir uma priorização da estabilização clínica em um contexto de sepse abdominal, mas cirurgicamente, o tratamento padrão-ouro é a intervenção cirúrgica (laparotomia ou herniorrafia com exploração da alça). O manejo envolve hidratação vigorosa, descompressão gástrica, antibioticoterapia de amplo espectro e cirurgia de urgência para avaliar a viabilidade da alça e corrigir o defeito herniário.
O estrangulamento ocorre quando o suprimento sanguíneo para o conteúdo do saco herniário é comprometido. Os sinais clínicos cardinais incluem dor intensa e desproporcional, irredutibilidade da tumoração, e a presença de sinais flogísticos locais, como eritema (vermelhidão), calor e edema cutâneo sobre a hérnia. Sistemicamente, o paciente pode apresentar febre, taquicardia e leucocitose com desvio à esquerda, sugerindo isquemia ou necrose tecidual. A presença de obstrução intestinal (vômitos, distensão, parada de eliminação) reforça a gravidade do quadro e a necessidade de intervenção imediata.
Embora o gabarito da questão aponte a antibioticoterapia (possivelmente focando na estabilização inicial ou presença de sepse), na prática clínica, os antibióticos são adjuvantes e não o tratamento definitivo. Eles devem ser iniciados precocemente para cobrir translocação bacteriana e tratar a infecção local/sistêmica decorrente da necrose intestinal. No entanto, a antibioticoterapia isolada não resolve a causa mecânica da obstrução nem a isquemia da alça. A conduta definitiva para uma hérnia estrangulada com sinais de obstrução e sofrimento de alça é a exploração cirúrgica urgente.
A redução manual de uma hérnia que apresenta sinais flogísticos intensos e tempo de evolução prolongado é perigosa. Existe um alto risco de 'redução em bloco', onde a alça intestinal isquêmica ou já necrótica é empurrada de volta para a cavidade peritoneal ainda dentro do saco herniário ou após a ruptura deste. Isso pode levar a uma peritonite generalizada e choque séptico fulminante. Se houver suspeita de sofrimento vascular, a alça deve ser inspecionada visualmente durante a cirurgia antes de ser devolvida ao abdome ou ressecada.
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