UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Considerando as hérnias umbilicais, assinale a alternativa INCORRETA:
Hérnia umbilical em cirrótico com ascite descompensada → Correção indicada para evitar complicações graves, apesar do risco.
Hérnias umbilicais em pacientes com cirrose e ascite descompensada representam um desafio. Embora o risco cirúrgico seja elevado, a correção é frequentemente necessária para prevenir complicações como ruptura, encarceramento, estrangulamento e peritonite bacteriana espontânea, que podem ser fatais. O manejo da ascite é crucial no pré-operatório.
As hérnias umbilicais são defeitos comuns da parede abdominal, que podem ser congênitos ou adquiridos. Em adultos, são mais frequentes em mulheres, obesos e pacientes com condições que aumentam a pressão intra-abdominal, como ascite. Embora o estrangulamento seja incomum, especialmente em hérnias pequenas, a correção cirúrgica é geralmente recomendada para hérnias sintomáticas ou grandes, a fim de prevenir complicações. Um grupo de pacientes que merece atenção especial são aqueles com cirrose e ascite descompensada. Nesses indivíduos, a pressão intra-abdominal cronicamente elevada pode levar ao aumento progressivo da hérnia, com risco significativo de ruptura do saco herniário, encarceramento, estrangulamento e, notavelmente, peritonite bacteriana espontânea do líquido ascítico no saco herniário, que é uma condição grave e potencialmente fatal. Contrariando a alternativa incorreta, a correção cirúrgica da hérnia umbilical é frequentemente indicada nesses pacientes, não para ser evitada. O objetivo é prevenir as complicações graves mencionadas, apesar do risco cirúrgico aumentado. A abordagem deve incluir uma rigorosa otimização pré-operatória, com controle máximo da ascite, correção de coagulopatias e avaliação cuidadosa do risco-benefício. Para defeitos menores que 3 cm, a sutura primária pode ser uma opção, mas o uso de tela é cada vez mais recomendado para reduzir as taxas de recorrência, mesmo em hérnias pequenas.
Pacientes cirróticos com ascite têm maior risco de complicações como ruptura da hérnia, encarceramento, estrangulamento e desenvolvimento de peritonite bacteriana espontânea no saco herniário, devido à pressão intra-abdominal elevada e à imunodeficiência.
A correção cirúrgica é indicada para hérnias umbilicais sintomáticas, grandes, ou com sinais de complicação (ruptura iminente, encarceramento, estrangulamento), mesmo em pacientes com ascite, após otimização clínica e controle da ascite.
A otimização pré-operatória inclui o controle rigoroso da ascite (diuréticos, paracentese), correção de distúrbios de coagulação, suporte nutricional e avaliação da função hepática para estratificação de risco (Child-Pugh, MELD).
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