Hérnia Umbilical em Cirróticos: Indicações e Riscos Cirúrgicos

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2024

Enunciado

Considerando as hérnias umbilicais, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) A ocorrência de estrangulamento do saco herniário é incomum.
  2. B) Hérnias pequenas e assintomáticas não necessitam de correção.
  3. C) Pacientes com cirrose e ascite descompensada não devem fazer a correção da hérnia, devido ao risco de peritonite.
  4. D) Para defeitos menores que 3 cm, o uso de tela é dispensável.

Pérola Clínica

Hérnia umbilical em cirrótico com ascite descompensada → Correção indicada para evitar complicações graves, apesar do risco.

Resumo-Chave

Hérnias umbilicais em pacientes com cirrose e ascite descompensada representam um desafio. Embora o risco cirúrgico seja elevado, a correção é frequentemente necessária para prevenir complicações como ruptura, encarceramento, estrangulamento e peritonite bacteriana espontânea, que podem ser fatais. O manejo da ascite é crucial no pré-operatório.

Contexto Educacional

As hérnias umbilicais são defeitos comuns da parede abdominal, que podem ser congênitos ou adquiridos. Em adultos, são mais frequentes em mulheres, obesos e pacientes com condições que aumentam a pressão intra-abdominal, como ascite. Embora o estrangulamento seja incomum, especialmente em hérnias pequenas, a correção cirúrgica é geralmente recomendada para hérnias sintomáticas ou grandes, a fim de prevenir complicações. Um grupo de pacientes que merece atenção especial são aqueles com cirrose e ascite descompensada. Nesses indivíduos, a pressão intra-abdominal cronicamente elevada pode levar ao aumento progressivo da hérnia, com risco significativo de ruptura do saco herniário, encarceramento, estrangulamento e, notavelmente, peritonite bacteriana espontânea do líquido ascítico no saco herniário, que é uma condição grave e potencialmente fatal. Contrariando a alternativa incorreta, a correção cirúrgica da hérnia umbilical é frequentemente indicada nesses pacientes, não para ser evitada. O objetivo é prevenir as complicações graves mencionadas, apesar do risco cirúrgico aumentado. A abordagem deve incluir uma rigorosa otimização pré-operatória, com controle máximo da ascite, correção de coagulopatias e avaliação cuidadosa do risco-benefício. Para defeitos menores que 3 cm, a sutura primária pode ser uma opção, mas o uso de tela é cada vez mais recomendado para reduzir as taxas de recorrência, mesmo em hérnias pequenas.

Perguntas Frequentes

Quais são os riscos de uma hérnia umbilical em pacientes com cirrose e ascite?

Pacientes cirróticos com ascite têm maior risco de complicações como ruptura da hérnia, encarceramento, estrangulamento e desenvolvimento de peritonite bacteriana espontânea no saco herniário, devido à pressão intra-abdominal elevada e à imunodeficiência.

Quando a correção cirúrgica de uma hérnia umbilical é indicada em pacientes com cirrose?

A correção cirúrgica é indicada para hérnias umbilicais sintomáticas, grandes, ou com sinais de complicação (ruptura iminente, encarceramento, estrangulamento), mesmo em pacientes com ascite, após otimização clínica e controle da ascite.

Quais medidas pré-operatórias são importantes para pacientes cirróticos com hérnia umbilical?

A otimização pré-operatória inclui o controle rigoroso da ascite (diuréticos, paracentese), correção de distúrbios de coagulação, suporte nutricional e avaliação da função hepática para estratificação de risco (Child-Pugh, MELD).

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