USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Mulher de 40 anos teve quatro gestações com partos normais e procura centro especializado para tratamento eletivo das hérnias, que podem ser visualizadas na imagem a seguir: Assinale a alternativa que justifica a escolha da técnica recomendada para o tratamento:
Hérnia umbilical > 4cm + tela → recidiva < 3%; Inguinal → Lichtenstein (padrão-ouro).
O uso de próteses (telas) em hérnias umbilicais maiores que 1-4 cm é fundamental para reduzir taxas de recidiva de patamares elevados para menos de 3%.
O tratamento das hérnias da parede abdominal evoluiu significativamente com o advento das telas sintéticas. Para hérnias umbilicais, a evidência demonstra que mesmo pequenos defeitos se beneficiam do reforço protético. Em defeitos maiores que 4 cm, a sutura primária apresenta falhas inaceitáveis. A técnica de Lichtenstein, descrita na década de 80, revolucionou o tratamento das hérnias inguinais ao eliminar a tensão na linha de sutura, permitindo uma recuperação mais rápida e resultados mais duradouros. O conhecimento das taxas de recidiva associadas a cada técnica é crucial para o aconselhamento do paciente e para a escolha da melhor abordagem cirúrgica, equilibrando riscos de infecção e benefícios de longo prazo.
Atualmente, recomenda-se o uso de tela em quase todas as hérnias umbilicais em adultos, especialmente naquelas com anel herniário maior que 1 cm. Em defeitos maiores que 4 cm, o uso de tela é mandatório, pois reduz a taxa de recidiva de aproximadamente 11-14% para menos de 3%. A fixação da tela pode ser pré-peritoneal, onlay ou sublay, dependendo da preferência do cirurgião e das características do paciente, visando sempre o reforço da linha média e a prevenção de novos defeitos.
A técnica de Lichtenstein é considerada o padrão-ouro para o reparo de hérnias inguinais por ser uma técnica 'tension-free' (sem tensão). Ela utiliza uma tela de polipropileno para reforçar o assoalho do canal inguinal sem aproximar tecidos sob tensão, o que resulta em menor dor pós-operatória e taxas de recidiva significativamente menores (geralmente < 1-4%) em comparação com técnicas de sutura pura, como a de Shouldice ou McVay.
Embora as telas reduzam a recidiva, elas podem estar associadas a complicações como infecção do sítio cirúrgico, formação de seroma, dor crônica (inguinodinia no caso das inguinais) e, raramente, rejeição ou erosão de vísceras se colocadas em contato direto com o intestino sem a proteção adequada. No entanto, o benefício na redução da recidiva supera os riscos na maioria dos casos clínicos.
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