Hérnias por Deslizamento: Características e Complicações

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2020

Enunciado

Em relação às hérnias por deslizamento, é incorreto afirmar que:

Alternativas

  1. A) a parede de uma víscera é parte integrante do saco herniário.
  2. B)  o cólon é a víscera mais comumente relacionada nessa forma de hérnia
  3. C)  Correspondem a uma variedade de hérnia rara em mulheres, crianças e adultos jovens, sendo mais frequente a partir da 3° década de vida.
  4. D)  estão relacionadas diretamente com o grau de proximidade do orifício interno do canal inguinal e com o alargamento desse, além do grau de fixação dos órgãos na cavidade.
  5. E)  a obstrução e o encarceramento são complicações comuns, assim como em todas as hérnias volumosas.

Pérola Clínica

Hérnia por deslizamento: víscera retroperitoneal forma parte da parede do saco herniário; menor risco de estrangulamento/obstrução.

Resumo-Chave

Hérnias por deslizamento são caracterizadas pela parede de uma víscera retroperitoneal (como cólon ou bexiga) formando parte da parede do saco herniário. Devido a essa particularidade anatômica, a mobilidade da víscera é reduzida, o que paradoxalmente diminui o risco de encarceramento e estrangulamento em comparação com outras hérnias volumosas.

Contexto Educacional

As hérnias por deslizamento representam uma variante anatômica particular das hérnias, mais comumente inguinais indiretas, onde uma porção de uma víscera retroperitoneal (geralmente cólon ou bexiga) forma parte da parede do saco herniário, em vez de estar completamente contida dentro dele. Essa condição é mais frequente em homens idosos e em hérnias de grande volume, sendo menos comum em mulheres e crianças. O reconhecimento dessa particularidade é crucial para o planejamento cirúrgico. A fisiopatologia envolve o deslizamento progressivo de uma víscera retroperitoneal junto com o peritônio, formando o saco herniário. O cólon (ceco à direita, sigmoide à esquerda) e a bexiga são as vísceras mais frequentemente envolvidas devido à sua localização retroperitoneal e proximidade com o anel inguinal. A identificação pré-operatória é desafiadora, mas a suspeita deve surgir em hérnias inguinais volumosas, de longa data, especialmente em pacientes idosos. Do ponto de vista cirúrgico, as hérnias por deslizamento exigem uma técnica cuidadosa para evitar lesão da víscera deslizante, que é parte da parede do saco. A dissecção do saco herniário deve ser feita com cautela para identificar e preservar a víscera. Ao contrário de outras hérnias volumosas, o risco de encarceramento e estrangulamento é paradoxalmente menor nas hérnias por deslizamento, pois a fixação da víscera à parede do saco confere-lhe menor mobilidade, dificultando a sua compressão ou torção. O tratamento é cirúrgico, visando a redução da hérnia e o reparo da parede abdominal.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza uma hérnia por deslizamento?

Uma hérnia por deslizamento é caracterizada pelo fato de que a parede de uma víscera retroperitoneal, como o cólon sigmoide, ceco ou bexiga, forma parte integrante da parede posterior do saco herniário, em vez de estar completamente contida dentro dele.

Quais vísceras são mais comumente envolvidas em hérnias por deslizamento?

As vísceras mais comumente envolvidas são o cólon (especialmente sigmoide à esquerda e ceco à direita) e a bexiga urinária. Em mulheres, o ovário e a tuba uterina também podem estar envolvidos.

Por que as hérnias por deslizamento têm um risco menor de encarceramento e estrangulamento?

Devido à fixação parcial da víscera retroperitoneal à parede do saco herniário, a mobilidade da víscera é limitada. Essa fixação reduz a probabilidade de a víscera ficar presa ou torcida dentro do saco, diminuindo o risco de encarceramento e estrangulamento em comparação com hérnias onde o conteúdo é totalmente móvel.

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