UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020
Paciente do sexo feminino, 28 anos, em 15º mês de pós-operatório de by-pass gástrico em ""Y de Roux"" por videolaparoscopia, queixa-se de dor tipo cólica em mesogástrio há 2 dias, com piora progressiva e forte intensidade. Ao exame, apresenta FC:118 bpm, sudoreica, abdome pouco distendido, doloroso à palpação difusa, sem peritonismo. Leucograma com 14600 leucócitos (8% bastonetes), amilase 78. Realizado Rx abdome que evidenciou distensão gasosa de alças de delgado em abdome superior, bolha gástrica aumentada, sem sinais de pneumo-peritônio. Assinale a alternativa que tem a melhor suspeita diagnóstica e conduta:
Dor abdominal intensa + taquicardia + leucocitose pós-bypass gástrico → suspeitar hérnia interna = laparoscopia de urgência.
Hérnia interna é uma complicação grave e comum após bypass gástrico em Y de Roux, especialmente em pacientes com dor abdominal súbita e sinais de obstrução intestinal. A taquicardia desproporcional à dor é um sinal de alerta, e a laparoscopia diagnóstica/terapêutica é a conduta padrão ouro.
A hérnia interna é uma das complicações mais temidas e frequentes após o bypass gástrico em Y de Roux, com incidência que pode variar de 1% a 9%. É crucial para o residente reconhecer os sinais e sintomas precoces, pois o atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a isquemia e necrose intestinal, aumentando significativamente a morbimortalidade. A fisiopatologia envolve a migração de alças intestinais através de defeitos mesentéricos criados durante a cirurgia, como o espaço de Petersen ou o mesentério do jejuno-jejuno. A apresentação clínica clássica inclui dor abdominal súbita e intensa, tipo cólica, muitas vezes desproporcional aos achados do exame físico, acompanhada de taquicardia, náuseas, vômitos e sinais de obstrução intestinal. Exames de imagem como a tomografia computadorizada podem auxiliar, mas a sensibilidade não é de 100%. A conduta é a laparoscopia exploradora de urgência, que permite o diagnóstico definitivo e a correção cirúrgica, com redução da alça herniada e fechamento dos defeitos mesentéricos. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e intervenção, sendo fundamental a alta suspeição clínica.
Dor abdominal tipo cólica intensa e progressiva, taquicardia, leucocitose com desvio à esquerda e distensão de alças intestinais no raio-X são sinais sugestivos.
A laparoscopia permite a visualização direta da hérnia, confirmação do diagnóstico e correção imediata, prevenindo isquemia e necrose intestinal, que são complicações graves.
Além da hérnia interna, considerar fístula anastomótica, estenose anastomótica, pancreatite, colecistite e úlcera marginal como diagnósticos diferenciais importantes.
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