UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2021
Para um paciente com recidiva de hérnia inguinal bilateral após técnica de Shouldice há 2 anos, qual a técnica cirúrgica mais indicada neste momento?
Hérnia inguinal recidivada após reparo anterior (especialmente Shouldice) → abordagem laparoscópica (TAPP ou TEP) é preferível para acessar plano não dissecado.
Em casos de hérnia inguinal recidivada, especialmente após uma técnica anterior como a de Shouldice (que é um reparo tecidual), a abordagem laparoscópica (TAPP ou TEP) é geralmente a mais indicada. Isso permite acessar um plano cirúrgico não dissecado anteriormente, evitando a cicatriz e a fibrose da cirurgia prévia, o que reduz o risco de nova recidiva e complicações.
A hérnia inguinal é uma das condições cirúrgicas mais comuns, e sua recidiva representa um desafio significativo para cirurgiões. A técnica de Shouldice é um reparo tecidual (sem tela) que, embora tenha boas taxas de sucesso em mãos experientes, ainda apresenta risco de recidiva. A ocorrência de uma hérnia inguinal bilateral e recidivada após Shouldice indica a necessidade de uma abordagem cirúrgica diferente e mais robusta. A fisiopatologia da recidiva de hérnia pode estar relacionada à tensão na linha de sutura, fraqueza tecidual intrínseca, falha na técnica cirúrgica inicial ou fatores do paciente (ex: tosse crônica, constipação). O objetivo do reparo de uma hérnia recidivada é reforçar a parede posterior do canal inguinal com o mínimo de tensão possível. O tratamento de hérnias recidivadas tem evoluído, com a cirurgia laparoscópica (TAPP - Transabdominal Preperitoneal ou TEP - Totalmente Extraperitoneal) emergindo como a técnica de escolha. Essas abordagens permitem a colocação de uma tela no espaço pré-peritoneal, reforçando a parede posterior do canal inguinal de uma maneira "sem tensão" e acessando um plano cirúrgico virgem. Para residentes, é fundamental entender que a escolha da técnica para hérnias recidivadas deve considerar a cirurgia prévia e buscar uma abordagem que minimize a dissecção em tecido cicatricial, otimizando os resultados e reduzindo novas recidivas.
A abordagem laparoscópica (TAPP ou TEP) é preferível porque permite acessar a região inguinal por uma via posterior, que geralmente não foi manipulada na cirurgia aberta anterior. Isso evita a dissecção através de tecido cicatricial, reduzindo dor, complicações e o risco de nova recidiva.
As vantagens incluem menor dor pós-operatória, recuperação mais rápida, menor taxa de infecção de ferida, melhor estética e a capacidade de identificar e reparar hérnias contralaterais ou outras hérnias inguinais não diagnosticadas durante o mesmo procedimento.
A TAPP (Transabdominal Preperitoneal) envolve a entrada na cavidade abdominal e incisão do peritônio para acessar o espaço pré-peritoneal. A TEP (Totalmente Extraperitoneal) é realizada sem entrar na cavidade abdominal, dissecando diretamente no espaço pré-peritoneal, o que pode ter menor risco de lesões viscerais.
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