Hérnia Inguinal em Lactentes: Diagnóstico e Tratamento

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Lactente, menino, 4 meses. Informante refere abaulamento inguinal direito aos esforços (choro) com melhora espontânea. Ao exame físico, sem alterações. Genitália de fenótipo masculino característico, testículos palpáveis em bolsa testicular, sem abaulamento inguinal à inspeção. Qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Ultrassonografia diagnóstica.
  2. B) Herniorrafia inguinal eletiva.
  3. C) Acompanhamento clínico.
  4. D) Observação e reavaliação em 6 horas.

Pérola Clínica

Hérnia inguinal em lactente, mesmo que redutível e intermitente, tem alto risco de encarceramento → cirurgia eletiva.

Resumo-Chave

A história de abaulamento inguinal intermitente em lactentes, especialmente durante esforços como o choro, é altamente sugestiva de hérnia inguinal indireta. Mesmo que o exame físico no momento da consulta não revele o abaulamento (hérnia redutível), a história clínica é suficiente para o diagnóstico. Devido ao alto risco de encarceramento e estrangulamento em crianças pequenas, a conduta mais adequada é a herniorrafia inguinal eletiva.

Contexto Educacional

A hérnia inguinal é uma das condições cirúrgicas mais comuns na pediatria, especialmente em lactentes do sexo masculino. Ela resulta da persistência do processo vaginal, uma evaginação do peritônio que acompanha o testículo em sua descida para a bolsa escrotal. Em meninas, o processo vaginal acompanha o ligamento redondo. A persistência dessa comunicação permite que alças intestinais ou outros órgãos abdominais (como o ovário em meninas) se herniem para o canal inguinal. O diagnóstico da hérnia inguinal em lactentes é predominantemente clínico. A história de um abaulamento intermitente na região inguinal, que se torna mais evidente com o choro ou esforço e que se reduz espontaneamente ou com manipulação, é clássica. Mesmo que o exame físico não revele a hérnia no momento da consulta, a história é suficiente para o diagnóstico. A ultrassonografia pode ser um exame complementar em casos atípicos ou para diferenciar de outras massas inguinais, como hidrocele comunicante. A conduta para hérnia inguinal em lactentes é a herniorrafia eletiva. Isso se deve ao alto risco de encarceramento e estrangulamento, que são complicações graves e potencialmente fatais, podendo levar à isquemia intestinal ou testicular. A cirurgia é relativamente simples e segura quando realizada de forma eletiva, prevenindo a morbidade associada às complicações agudas. O residente deve estar apto a reconhecer essa condição e indicar o tratamento cirúrgico precoce.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de hérnia inguinal em lactentes?

O principal sinal é um abaulamento na região inguinal que aparece durante o choro, tosse ou esforço, e pode desaparecer espontaneamente ou com manipulação suave. Em meninos, pode se estender até a bolsa escrotal. Dor, irritabilidade e vômitos podem indicar encarceramento.

Por que a herniorrafia inguinal eletiva é a conduta mais adequada para hérnia inguinal em lactentes?

Em lactentes, o anel inguinal profundo é relativamente grande, o que aumenta o risco de encarceramento (quando o conteúdo da hérnia fica preso e não pode ser reduzido) e estrangulamento (comprometimento vascular do conteúdo herniado). A cirurgia eletiva previne essas complicações graves, que podem levar a necrose intestinal ou testicular.

Como é feito o diagnóstico de hérnia inguinal em crianças?

O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de abaulamento intermitente na região inguinal. O exame físico pode confirmar a presença da hérnia, mas mesmo que não seja visível no momento, a história é suficiente. A ultrassonografia pode ser usada em casos de dúvida diagnóstica ou para diferenciar de outras condições, mas não é rotineiramente necessária.

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