Hérnia Inguinal Encarcerada em Lactentes: Urgência Cirúrgica

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025

Enunciado

Paciente sexo masculino, 1 mês e 5 dias, vem em consulta, trazida pela mãe, devido ter notado, há uns 2 dias, que uma bolsa escrotal estava maior que a outra. Após isso, criança apresenta momentos de maior irritabilidade e choro. Refere estar em aleitamento materno exclusivo, nega alterações urinárias e intestinais. Nascido de parto vaginal, idade gestacional de 40 semanas e 3 dias, sem intercorrências, peso ao nascer 4105g, comprimento 49 cm, perímetro cefálico 37,5 cm, APGAR 8/9, alta em 4 dias devido icterícia, peso na alta 4060g. Testes de triagem neonatal normais. A inspeção, nota-se bolsa escrotal direita aumentada em volume, sem sinais flogísticos. A palpação, conteúdo fibroelástico em toda a bolsa, sem definição testicular. Ganho de peso adequado e com bom desenvolvimento neuropsicomotor. Diante da suspeita clínica de hérnia inguinal durante os primeiros meses de vida, qual a opção que traz a melhor conduta a ser tomada?

Alternativas

  1. A) Encaminhar imediatamente para tratamento cirúrgico.
  2. B) Observar evolução e regressão espontânea.
  3. C) Solicitar exames de imagem complementares.
  4. D) Prescrever tratamento medicamentoso.

Pérola Clínica

Hérnia inguinal em lactente com sinais de encarceramento (irritabilidade, choro, massa tensa) → urgência cirúrgica para evitar isquemia.

Resumo-Chave

Hérnias inguinais em lactentes, especialmente com sinais de encarceramento (irritabilidade, choro, massa escrotal tensa e indolor à redução), representam uma urgência cirúrgica. O risco de estrangulamento e isquemia do conteúdo herniário (intestino ou gônada) é alto, justificando o encaminhamento imediato para tratamento cirúrgico.

Contexto Educacional

A hérnia inguinal é uma condição comum na pediatria, especialmente em lactentes do sexo masculino, resultante da persistência do processo vaginal. Embora muitas vezes assintomática, a presença de uma massa escrotal aumentada, acompanhada de irritabilidade e choro em um lactente, deve levantar a forte suspeita de encarceramento herniário, uma condição de urgência. O encarceramento ocorre quando o conteúdo abdominal (geralmente alças intestinais) fica preso no saco herniário e não pode ser reduzido manualmente. Os sintomas de irritabilidade e choro são indicativos de dor e desconforto, sugerindo que a hérnia está causando sofrimento ao bebê. A palpação de um conteúdo fibroelástico sem definição testicular na bolsa escrotal direita reforça a suspeita clínica. Diante da suspeita clínica de hérnia inguinal encarcerada, a conduta mais apropriada é o encaminhamento imediato para tratamento cirúrgico. A observação, exames de imagem ou tratamento medicamentoso não são adequados, pois o risco de estrangulamento (comprometimento vascular do conteúdo herniário) é alto e pode levar a necrose intestinal ou testicular, com consequências graves e permanentes. A cirurgia visa reduzir o conteúdo herniário e corrigir o defeito, prevenindo complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de encarceramento de uma hérnia inguinal em lactentes?

Sinais incluem irritabilidade, choro inconsolável, recusa alimentar, vômitos, massa inguinal ou escrotal dolorosa, tensa e irredutível, e, em casos avançados, sinais de obstrução intestinal, exigindo atenção imediata.

Por que a hérnia inguinal é mais comum em lactentes do sexo masculino?

A maior incidência em meninos está relacionada à descida testicular e à persistência do processo vaginal, que forma o saco herniário, facilitando a passagem de conteúdo abdominal para a região inguinal ou escrotal.

Qual o risco de uma hérnia inguinal encarcerada não tratada?

O principal risco é o estrangulamento do conteúdo herniário, levando à isquemia, necrose intestinal ou testicular, com morbidade e mortalidade significativas, podendo resultar em perda de órgão ou sepse.

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