Hérnia Inguinal em Lactentes: Diagnóstico e Manejo Cirúrgico

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021

Enunciado

Lactente, menino, 4 meses de idade, com antecedente de prematuridade de 35 semanas, em consulta pediátrica devido ao aumento de volume na região do testículo direito, quando chora. Não apresenta febre, dor ou mudança de coloração no local. Ao exame clínico: bom estado geral, presença de abaulamento em região escrotal direita, mais evidente durante flexão do tronco sobre o abdome. À palpação, notam-se testículos tópicos, com abaulamento redutível em bolsa escrotal direita e espessamento do cordão espermático. Restante do exame físico sem alterações. Qual é o diagnóstico e a conduta para o caso?

Alternativas

  1. A) Hidrocele não comunicante. Aguardar resolução espontânea.
  2. B) Hérnia inguinal. Indicar cirurgia.
  3. C) Hidrocele comunicante. Indicar cirurgia após 6 meses de idade.
  4. D) Cisto de cordão. Aguardar resolução espontânea.

Pérola Clínica

Abaulamento escrotal redutível que aumenta com choro/esforço + espessamento cordão espermático em lactente = Hérnia inguinal → Cirurgia.

Resumo-Chave

A presença de um abaulamento escrotal redutível que se torna mais evidente com o aumento da pressão intra-abdominal (choro, flexão do tronco) e o espessamento do cordão espermático em um lactente, especialmente prematuro, são achados clássicos de hérnia inguinal indireta. A conduta é cirúrgica devido ao risco de encarceramento e estrangulamento.

Contexto Educacional

A hérnia inguinal indireta é uma das condições cirúrgicas mais comuns na pediatria, especialmente em lactentes e prematuros. Ela ocorre devido à persistência do processo vaginal patente, uma invaginação do peritônio que normalmente se oblitera no final da gestação ou nos primeiros meses de vida. Quando esse processo permanece aberto, permite a passagem de conteúdo abdominal (geralmente alça intestinal ou omento) para o canal inguinal e, em meninos, para o escroto. A fisiopatologia envolve o aumento da pressão intra-abdominal, que força o conteúdo através do processo vaginal patente. O diagnóstico é predominantemente clínico, caracterizado por um abaulamento na região inguinal ou escrotal que se torna mais evidente com o choro, tosse ou esforço, e que é redutível. O espessamento do cordão espermático à palpação é um sinal clássico. A diferenciação com hidrocele comunicante é crucial, pois a conduta difere. A conduta para a hérnia inguinal em lactentes é cirúrgica, independentemente da idade, devido ao alto risco de encarceramento e estrangulamento, que são emergências cirúrgicas. A cirurgia (herniorrafia) consiste na ligadura e ressecção do processo vaginal patente. Em casos de encarceramento, a redução manual pode ser tentada, mas a cirurgia de urgência é frequentemente necessária.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre hérnia inguinal e hidrocele comunicante em lactentes?

Ambas resultam de um processo vaginal patente. A hérnia inguinal contém conteúdo abdominal (geralmente alça intestinal) e é redutível, aumentando com o choro. A hidrocele comunicante contém apenas líquido peritoneal, que pode variar de volume, mas não é um conteúdo sólido.

Por que a prematuridade é um fator de risco para hérnia inguinal?

A prematuridade está associada a uma maior incidência de processo vaginal patente, que é a persistência da comunicação entre a cavidade abdominal e o escroto, predispondo à formação de hérnias inguinais indiretas.

Quais são as complicações da hérnia inguinal não tratada em lactentes?

As principais complicações são o encarceramento (quando o conteúdo herniário não pode ser reduzido) e o estrangulamento (quando o suprimento sanguíneo do conteúdo herniário é comprometido), que são emergências cirúrgicas e podem levar à necrose intestinal ou testicular.

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